domingo, 26 de outubro de 2008

Ford Focus 2008


Um dia de trampo perdido, amigos de maceió em aracaju, reencontro com amigas do meu tempo de ginástica, e até reencontro com amigos que eu ainda nem sabia possuir... putz... foi bom!

Essa coisa de "se apresentar" nunca foi um problema pra mim... até porque com meu histórico de criança (peças teatrais, quadrilhas, folguedos...) eu sempre gostei de arte. O que me preocupava era o pouco tempo que tinhamos para elaborar algo bom, num estalar de dedos.

Não podia ter contado com um apoio melhor. O fato de eu conhecer as meninas (de quando elas eram seleção brasileira e eu da sergipana) ajudou muito o entrosamento de todos. Isso pra não mencionar toda a equipe que esteve nos suportando durante o processo criativo e ensaio.

A apresentação não foi a melhor do universo. A estrutura era instável e a fumaça impedia a visão de mãos e pés. Pra completar, os pontos da minha canela foram abertos durante o ensaio. Porém, dentro de todos os imprevistos, a dor, o pouco ensaio e a pressão em se realizar algo legal... caramba... nos saímos super bem.

Com direito a choro da promoter do evento e tudo mais!
HUAHUHUAHUAHUAHUAHUAHUHUAAHUAHUHUAHUAU

Enfim, agradeço gigantemente aos meninos por terem suportado meu mau humor (quando se trata de responsabilidade digamos que eu vire... um porre!), ao Bata, Tayra e Bruna pela visita inesperada, por todo o suporte de Vera, Lambão e DJ Wandel... e é claro... as meninas da ginástica rítmica que definitivamente fizerama diferença.

Foi um prazer!

http://www.youtube.com/watch?v=aZn6lYtwZL8

terça-feira, 21 de outubro de 2008

2º Encontro Baiano de Parkour


No dia 10 de outubro, enfrentei 6 horas de ônibus com a perna suturada pra acompanhar de perto o encontro dos baianos. Eu poderia lamentar meu machucado e dizer que não aproveitei como gostaria, mas abraçar o Gustavo, rever rostos amigos e acompanhar a evolução do parkour do nordeste faz qualquer esforço valer a pena.

Não irei detalhar o evento para não ter que me extender mais do que gostaria; vou apenas comentar os altos e baixos.

Eu compareci ao 1º encontro baiano e GRAÇAS AOS ORIXÁS o cenário de Salvador agora é outro.

Em 2007 me senti em meio a uma guerra de gangues, onde pessoas com os mesmos ideais se digladiavam por uma sombra ao sol. Com felicidade, me certifiquei de que isso é passado. Hoje, os tracers baianos pensam um pouco mais no coletivo e se não tomam sempre a melhor escolha pra solução dos problemas, ao menos eles tentam.

A organização do Vini foi primordial para o sucesso do evento.Logo no primeiro dia tivemos a palestra de um educador físico salientando aspectos vitais ao que remete o parkour como atividade física, e ainda uma mesa-redonda com os próprios praticantes a respeito de filosofia, métodos de treino e evolução.

Infelizmente o melhor pico de Salvador estava interditado justamente naquele final de semana. Mas nada que um pouco de criatividade e disposição não fosse capaz de resolver.

Porém, nem tudo são flores e acarajés (que por sinal o da Bahia não tem igual no nordeste!). Erros acontecem para que não sejam repetidos, mas o ser humano é burro e ainda assim consegue se estrepar duas vezes no mesmo lugar.

Um ponto que odiei no encontro de 2007 foi a dispersão do grupo em uma mata fechada. Tivemos bastante problemas com isso ano passado e desde o momento em que ficou decidido visitar o mesmo parque, eu temi pela repetição. E assim aconteceu.

Dessa vez ainda foi pior, não só o clima do evento foi interrompido como a necessidade de intervenção policial foi necessária. E eles estavam com a razão. Baixei a cabeça pros homens fardados pois mesmo eu sem fazer nada de errado, estava com um grupo de pessoas fazendo algo errado (digamos que tumulto, gritaria, brincadeiras de crianças em uma mata fechada circundada por favelas não seja uma atitude sábia).

Fora esse deslize, que foi mais da organização (estão ouvindo Fallux, Gustavo, Vini e Fred???) do que dos próprios praticantes (eles têm culpa, mas a situação favoreceu ao erro), o clima foi muito bom.

Me renderam ótimos momentos e recordações.
Algumas vezes eu ficava de longe observando a movimentação do pessoal e senti prazer com o que vi. Notei a falta da participação de mais cidades baianas, e sei que por lá temos ótimos praticantes.

Esperamos o terceiro, né?

Se a melhora do primeiro pro segundo foi tão assombrosa, só posso esperar boas coisas para 2009.

Acarajé pra vocês!

domingo, 19 de outubro de 2008

Sem Artigo Definido

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
É postagem fora do padrão mesmo!

Duas semanas sem escrever nada por aqui... exatamente o tempo em que minha perna tava fudida! Não fiquei parado durante esse tempo e muita coisa aconteceu. Porém, são assuntos para tratar nos posts seguintes.

O importante saber agora é que na quinta-feira eu tirei meus pontos (eu mesmo, porque nenhuma pessoa vai ter mais carinho por mim do que eu mesmo) e hoje foi o meu primeiro treino pra valer!

Mas quando eu digo "hoje" eu quero dizer AGORA!
Tem 5 minutos que cheguei, tô ainda com o suor escorrendo mas queria postar aqui ainda nessa euforia!!! Muito tempo que não sinto isso!!!!!!!

Minha perna ainda tá um cocô, mas consegui forçar meu corpo até alguns extremos! Deixei a parte técnica um pouco de lado, diminui (muito!) a velocidade dos movimentos, e pra compensar essas perdas, botei pra fuder na intensidade de repetições e esforço realizado.

Menino... nem sei se tem palavra pra descrever minha felicidade! Sério mesmo!

No ônibus, na hora de puxar a cordinha pra descer, meu ombro tremia!HUAHUAHUAHUHUAHUAUAHUAUAUAHHUAHUAHUAHUAHUHUA

Eu começei a rir e o povo devia pensar que eu era doido!
Agora mesmo enquanto escrevo o meu triceps tá chuchando!
(nem sei se vão entender essa palavra!)

MAS DANE-SE!
ME SINTO VIVO!

Amanhã vou custar a acordar pro trabalho... tá doendo tudo!AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!

Não... eu não estou drogado!
Teve uma hora em que precisei subir degrau por degrau de uma escada, suspenso pelos dois braços. Meu corpo inteiro pedia pelo amor de padi Çiço que eu soltasse! :D

Mofio, é muito bom forçar a extremos!
Terminei o percurso, mas os ultimos degraus eu subi urrando de dor, com os músculos me xingando de filho da puta!

Depois deitei no gramado e fiquei lá.... fudido!
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!

Sinceramente, desejo o mesmo pra vocês!
Bjos e bjos vou tomar meu banho!

sábado, 4 de outubro de 2008

A Resposta Imediata


Alguém aí se lembra sobre o que foi meu último post, mesmo?
Minha insatisfação em ter mania de sempre checar o local de treino, né?

Eu havia resolvido que iria maneirar nessa preocupação toda com o obstáculo, e que ia parar de ser neurótico quanto as falhas estruturais deles... NEM VOU MAIS!

Agora a pouco sai pra treinar nas ruas, sem local pré-definido, e depois de uns 50 minutos encontrei um local legal pra fazer subidas de muro. E lembra que eu falei que tinha medo de subir o muro e a borda dele soltar?

Em meus quase 3 anos de parkour, eu estava acostumado a dizer com orgulho que nunca havia me machucado... agora não posso mais.

Chequei as paredes de 1 por uma, inclusive dei tapinhas, forçei...
DA PRÓXIMA VEZ EU DOU UMA MARRETADA NAQUELA PESTE!

O muro tinha 2 metros e quando apoiei o peso do meu corpo nele, um bloco de concreto de cerca de uns 7 quilos cedeu e caiu junto comigo. Tudo foi muito rápido, e eu não consigo determinar o que de fato aconteceu durante a queda.

Já no chão, eu tinha o bloco (era bem grandinho) em cima de minha perna esquerda. Tirei e percebi que ela estava dormente. Fiquei aliviado porque conseguia mexer os dedos e o tornozelo, então não houve fratura. Daí a minha calça começou a empapar de sangue.

Comprimi o ferimento sem olhar, mas o sangue continuava a escorrer. Umas pessoas na rua vieram me dar socorro e eu pedi um pano pra estancar o sangue. Cortei uma camisa e dei um nó no local machucado.

O socorro chegou e eu fui pro hospital.

O rasgo foi de aproximadamente 3 cm, mas com profundidade pra deixar o osso a amostra e romper as pestes dos vasos que não paravam de sangrar.

Estou com 3 pontos na canela, um hematoma roxo pouco abaixo do tendão de Aquiles e uma verdadeira laranja no tornozelo. Nem consigo caminhar. mimimi.

Sou bem macho pra dor e mantenho a calma em situações assim.
Minha preocupação maior, no entanto, era (e ainda é) o Encontro Baiano de Parkour. Estava escalado pra ministrar um workshop com os meninos e ainda não sei o que vou fazer. Vou de todo jeito, mas boa parte da diversão já está comprometida.

Pois é... mais um aprendizado...
E se antes eu me achava neurótico com segurança: HAUAHUHUAUAUHAHUHUAUAHUHAHUA!

"MACACO VELHO NÃO METE MÃO EM CUMBUCA!"

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A Desconfiança

Já vou começar dizendo que não sou cagão e muito menos psicótico com falhas.

.
..
...

Tá... eu menti um pouquinho.
Digamos que eu tenho aprendido a ser menos medroso e menos complexado com erros.

Ainda não sei aonde quero chegar com essa postagem, mas vou escrever o que pipocar na minha mente; quem sabe assim eu entenda melhor o que de fato anda me incomodando.

Muita gente já sabe que minha base de força, flexibilidade, velocidade foi lapidada durante 6 anos com a ginástica olímpica. Lá, aprendi a confiar cegamente no meu corpo; a ter noção espacial; aprendi que uma vez aprimorada uma valência física, você conseguirá utilizá-la instintivamente; e outras 'cositas mas' como andar de cabeça pra baixo e que salto sobre o cavalo causa terríveis canelite.

Voltando ao meu foco...
Eu só quero falar do "confiar cegamente no meu corpo".
Se você não for extraterrestre vai saber que isso é uma mão na roda pra qualquer atividade esportiva. Eu sou capaz de entender minha atual condição física e determinar se meu objetivo tem chance de ser atingido ou não com sucesso naquele momento.

Inclusive muitas vezes quando minha mente falha:
"Puta que pariu isso vai ser foda e eu não vou conseguir!".

Meu corpo automaticamente parte pro ataque:
"Eu já tenho a força, a explosão e a flexibilidade... Porra! Arrisque que eu faço minha parte!".

O problema todo é que minha mente e corpo dialogam DENTRO DE MIM! E o que devo fazer quando o meio externo interfere nessa comunicação?

Deixa explicar...

Eu treino parkour.
Uma atividade onde brinco de quebra-cabeça com o ambiente ao redor. Eu estruturo uma figura (trajeto mental), escolho as melhores peças (obstáculos reais) e inicio a ação (trajeto físico).

O trajeto mental e o físico muitas vezes diferem um do outro. Eu imagino que vou realizar determinada ação, mas o meu corpo dá uma de maluco e responde ao obstáculo de forma diferente. Quando me dou conta do que fiz, eu já tô lá na frente... fazendo outra coisa.

A escolha das peças que montarão a minha imagem é que me causam dor de cabeça.

Sei que sou capaz de escalar um muro de 3 metros de altura. Mas e se a borda daquela desgraça estiver solta? E se a galha em que eu me pendurar estiver oca e me deixar cair?

E se... e se... e se?

O obstáculo real está lá independente do que meu corpo é capaz de fazer ou do que a minha mente é capaz de maquinar. Se eu acertar tudo e o meio não fizer a parte dele... eu me fodo! Não tem colchão pra me segurar.

Muitas vezes eu não tenho essa confiança cega em mim, porque justamente não depende só de mim! Aí sabe o que eu faço? Pareço uma patricinha em liquidação de shopping: Checo falha por falha, textura por textura, os defeitos de fabricação...

Eu treino muito com o Edi de Maceió.
Tudo bem que ele é um doente mental. Pensa pouco e age muito. Já eu, só consigo agir muito depois de pensar muito.

Eu preciso entender que nem sempre posso ter o controle total da situação. Orientar meu corpo a lidar com o imprevisto.

Eu me sinto o pior dos amigos por já ter deixado minhas desconfianças e falhas respingar no Edi. Na última viagem pra Recife havia um sdc cat-leap bem perigoso, com inúmeros fatores que poderiam induzir ao erro. Mas o vagabundo tava confiante e CATAPUM! FEZ.

Eu, abestalhado, ao invés de encorajá-lo, só sabia dizer:
"Você checou o corrimão? A pegada tá firme? A borda escorrega?"

Não que eu me preocupe com ele...
É que se ele morresse a gente estaria em outro estado e isso estragaria minha viagem.

É incrivel... huauhauhuhauhauhauha!
Até em locais que treino semanalmente, eu costumo checar as pegadas, as texturas e os locais de aterrisagem a cada treino.

Claro que muita gente vai dizer que estou certo em fazer isso. E que muitos são inconsequentes enquanto treinam justamente por não fazer o mesmo. Mas é extremamente chato você depender de checks-in para adquirir confiança em seu potencial.

Vou anotar aqui na minha agenda:
"Largue de tanta frescura pois se existe um deus no céu, ele não conspira pra que você caia!".

Vamo que vamo!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O Estar Vivo




"Porque sentir pena de alguém que pode escapar das formalidades? Ele não precisa fingir estar interessado nas pessoas a sua volta. Consegue imaginar como seria liberal viver isento de todas as comodidades entorpecentes da sociedade? Não tenho pena, eu invejo." (Dr. Greggory House)

"...lembrando que: apenas a colocação no espaço já é algo interessante." (Diogo Granato)

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O ponto em comum entre as duas citações?
FORMIGAS!

Descobri que sou um amante dessas danadas.
Ao lembrar de minha infância é comum me deparar com a imagem do magrelinho de óculos ajoelhado em frente a um formigueiro por horas. E recentemente, sem notar, eu voltei a ser essa criança.

Faz dois meses que um formigueiro tenta co-existir com um ponto de ônibus. Como minha condução demora cerca de 30 minutos para chegar, eu meio que virei padrinho daquelas pequeninas. O bom de se analisar formigas é que as bichinhas sempre te surpreendem com lições memoráveis.

Poderia gastar linhas e linhas narrando nossas aventuras:
- Os dias de chuva
- O dia que levei açucar no bolso
- O dia que as formigas vizinhas resolveram fazer visita
- O dia que cheguei no ponto e algum malvado tinha desmanchado a casa delas

Mas nenhuma lição seria maior do que o exemplo de vida que elas carregam.

Formigas devem ser os seres mais felizes da Terra. Quando ainda são larvas, o tipo de alimentação dada aos embriões determina a sua função na vida: Operárias, rainhas, soldados, obreiras...

Quantos de nós nos perguntamos diariamente o motivo pelo qual existimos? E o pior: quantos de nós passamos a vida inteira em busca de uma resposta que jamais chega?

Invejo as formigas por saberem suas respostas desde sempre.

Coletar alimento, reproduzir crias, defender o importante, cuidar da vida... Cada uma delas, rainhas ou operárias, sabem o porquê de existirem. Elas se integram à vida de forma totalmente harmoniosa.

E eu o que faço?
Vivo pra quê e porquê?
Já que está aqui, dê uma pausa e assista:
http://br.youtube.com/watch?v=7iEhC1emj0o

Eu o assisti a muito tempo atrás e percepções sobre ele ficaram gravadas em minha memória. Sabe o que aquelas pessoas são naquele momento?
Formigas.

Por frações de existência, pequenos ou grandes momentos, elas parecem encontrar o motivo porque vivem. O ato de existir torna-se sólido ao ponto de quase ser capaz de segurar no colo.

Queria não entrar no mérito do parkour, mas...
Puta que pariu! É quase inevitável.

A cerca de 2 anos e 8 meses sinto que iniciei minha metamorfose. A consciência de que eu sou, estou, existo é cada vez mais sentida em meus treinos.

Isso me fez lembrar das aulas de psicologia.
Após um novo aprendizado é importante que o ser humano ao invés de dizer "eu sei fazer isso" seja capaz de afirmar "eu sou AQUELE capaz de fazer isso".

A vitória alcançada, apesar de ter sido conquistada por você, é algo acessível a todos! Fico feliz em perceber que durante meus treinos (e cada vez mais fora deles) eu tenho conseguido ser AQUELE capaz de fazer algo.

Ainda não sou uma formiga completa.
E possivelmente nunca serei.

Porém, estou certo de que carregar minhas descobertas nas costas, não como um fardo mas ferramenta de aprendizado, é o caminho que eu escolhi traçar.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O Novo Treino

A ginástica olímpica me fez extremamente técnico.

Por conta disso, sou capaz de perceber onde mãos, pés e dedos se encontram durante a execução dos movimentos. É uma habilidade bacana, faz com que eu realize as coisas de forma perfeita e desenvolva autocrítica nas situações de erro.

Mas, 'atrapalha' no parkour.

Eu notei que estava acostumado a pensar no percurso como uma série de ginástica: Cada elemento era executado com TOTAL atenção voltada para ele.

Explicando melhor...
Quando você sobe num tablado pra competir, os outros sentidos se apagam. Pode ter um incêndio ao seu lado, mas você somente o perceberá quando acabar o que foi fazer. Minha mãe morria de raiva porque eu nunca percebia os gritos de incentivo dela durante minhas séries.

O propósito do novo treino é me desconcentrar da obrigatoriedade do movimento e aproveitar melhor meus outros sentidos.

Quando você era pequeno, o ato de caminhar não era o seu objetivo. O foco de sua atenção era o brinquedo fora do alcance, ou os braços do papai te chamando. Andar sob duas pernas era apenas a ferramenta utilizada para atingir a sua real intenção.

Pense agora em uma corrida seguida de precisão. Você não dá à corrida a mesma importância que dá à aterrissagem. Isso porque correr é algo tão natural para nós que sua execução não exige tanta concentração.

E é a isso que esse novo treino se propõe:
Tornar os meus movimentos uma ferramenta, e não um fim.

Tenho trabalhado isso de diversas formas, mas vou comentar apenas o aspecto que mais me trouxe resultados: TREINAR CANTANDO.

Parecia ser simples.
Eu traçava o percurso, escolhia uma música e tentava cantá-la sem interrupção enquanto realizava os movimentos. Músicas bobas. Do tipo "Parabéns Pra Você" ou "Atirei o Pau no Gato".

Logo, de início eu percebi o seguinte quadro:

"A-ti-rei o pau no ga... (executa o movimento) tô-tô!"

Ou seja, durante a corrida (que já é algo natural) eu mantinha o controle sobre a letra, mas no momento da passagem pelo obstáculo, minha mente retomava o excesso de controle e me fazia esquecer do objetivo principal (continuar a música).

Depois de alguns tempos exercitando, o diagnóstico se modificou:

"A-ti-rei o pau no ga... (e faz o movimento pronunciando o TÔ-TÔ!)"

Dessa vez, meu corpo já conseguia entender que a prioridade era a letra e não o movimento. O engraçado é que na hora da ultrapassagem a sílaba da música em que eu me encontrava ganhava uma tonicidade maior. Parecia que eu a estava tossindo, e por esse motivo, meu objetivo ainda não havia sido alcançado.

Durante o treino de ontem, pela primeira vez eu consegui fluir pelos obstáculos sem quebrar a letra ou a melodia. Isso exige um grau de concentração muito bom e notei que auxilia muito no meu controle de respiração (que infelizmente é ruim). O único efeito colateral foi os grandes impactos nos amortecimentos, pois eu caia parecendo uma bomba de São João (mas nada que comprometesse o treino em si).

Um pouco mais tarde, resolvi executar o mesmo percurso sem cantar. A diferença foi grande. Enquanto executava cada movimento, eu era tanto capaz de determinar onde cada pessoa ao meu lado se encontrava como eu tinha tempo de programar a melhor forma de ultrapassar o próximo obstáculo.

Queria deixar claro que o interesse com esse tipo de treino não é provocar uma situação de risco. Trata-se apenas de aprender a dar a cada etapa da movimentação a atenção necessária.

Fico feliz em perceber que meu tempo de reação aos obstáculos melhorou muito.

Daí pra frente é só deixar a criatividade rolar:
- Treinar flow sem soltar uma bolinha na mão.
- Bater palmas durante uma subida de muro.
- Tocar no nariz enquanto ultrapassa um corrimão.
- Manter uma corda girando durante um percurso.
- Tirar o boné num movimento e no próximo recolocá-lo.

Vou ver se um dia gravo umas sessões para exemplificar melhor.

AH!
Uma outra coisa interessante de se analisar é a reação das pessoas. Se antes eu era esquisito por fazer o que faço, o que imaginar de um esquisito que faz o que faz... cantando?