quarta-feira, 1 de julho de 2009

Um passo certo com o tênis certo


A foto ficou boa, né? Se não gostou, por favor... Minta! Eu até coloquei umas pétalas de flor pra ela ficar bem enfeitada e colorida! Isso tudo porque esta é uma postagem de celebração! Eu tenho vários motivos pra comemorar, e quem me conhece sabe que eu extrapolo na gayzice quando estou feliz. Ah... E eu também falo pelos cutuvelos! Então “senta que lá vem história” (imagine uma espiral de preto e branco rodando no seu monitor):

Em outubro do ano passado o Rinoceronte Diamarante, mais conhecido como Pop, me presenteou com esse tênis da foto: Um rainha VL-2500. O novo vício (leia: moda) do Ibyanga era utilizar essa peste de tênis. Eu era um dos únicos que não havia aderido. O fato é que ele apesar de ter uma aderência foda, não amortece bosta nenhuma e eu estava acostumado com meus Olympikus Tube, Mizunos e Asics (não pense que sou rico, tudo é herdado do meu irmão). A absorção deles era assombrosa! Pra ter uma idéia tem um que você até pode colocar umas pastilhas extras de amortecimento... vai ver o tênis é projetado pra saltar de prédio mesmo.

Voltando ao Pop e ao tênis da foto... ele me deu esse tênis de presente. Eu sei que você já leu isso, mas eu quero repetir porque significa muito pra mim. Acontece que eu não conseguia treinar com essa coisa no meu pé. Eu tentava e depois de uns 10 minutos o pé reclamava. Meu calcanhar sofria muito e teve até uma vez que eu bati tão forte que fiquei sem conseguir encostar o pé no chão durante 1 semana.

Toda vez que eu ia pra Maceió eu levava o tênis. Eu queria mostrar pro Pop que eu valorizava o presente e que estava treinando com ele. Tudo mentira... porque quando eu voltava pra Aracaju eu jogava essa bosta pra longe e voltava pros meus amortecedores.

Um dia ele veio pra cá, pegou o tênis em suas mãos, deu graças novamente, e disse: “Que triste... eu dou meu tênis pro cara e ele não usa. Se você não quiser eu pego de volta! Esse solado não tá gasto e isso é sinal de que você não treina com ele”. E era verdade. Afinal, eu só usava o tênis pra enganá-lo e ele não ficar triste.

Aquela época coincidiu com a vinda do idiota do Gustavo pra cá, e como eu já relatei naquele post-carta-de-amor, eu resolvi mudar o modo de encarar meus treinos e impactos. Treinei descalço por um tempo e naturalmente esse tênis se tornou um amigo. Acho que hoje poderia escrever um livro sobre ele. Aprendi lições valiosas como:

- Controlar e confiar no mecanismo natural de absorção de impactos do meu corpo.
- Eu amo meu calcanhar.
- Meu dedão do pé é quem me equilibra no balance.
- Aprender o limite entre o “eu consigo” e o “vale a pena?”.

Quando você o calça a impressão é que colocou uma camada fina de borracha pra proteger seu pé contra vidros e espinhos. Mas somente isso. Você sente cada pedra, cada desnível, cada mudança de terreno e cada dedo tocando o chão. Eu tive que aprender a me livrar daquela superficialidade toda dos tênis fodões e notei de imediato que a falta do conforto reduziu meu nível de “monstruosidades”.

Passei a fazer coisas menos impressionantes e a focar em “besteiras” corriqueiras do treino de qualquer tracer. Eu não fazia mais nada admirável por sua grandeza, mas contabilizava pequenas vitórias em cada precisão de 8 pés amortecida com segurança. Na verdade isso é algo muito monstruoso, eu que antes não dava o devido valor.

O Fred de Salvador quando veio aqui em casa me perguntou: “Você não guarda os seus tênis antigos não? Pois eu guardo. Sinto prazer em lembrar de como cada um deles me ajudou a evoluir e de quanto eu mesmo evolui.”.

Pois esse rainha é o meu primeiro troféu.
EU ACABEI COM ELE, POP!
USEI ATÉ O FINAL!


Sei que você está tão orgulhoso de mim quanto eu mesmo.
Não vejo a hora de comprar outro!

Feliz Aniversário Adriano Pop Diamarante.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Parkour Aracaju no Cinform




É tão legal quando um jornalista tenta entender o que você quer transmitir não é? Todo mundo quando cede uma entrevista na hora de conferir o resultado fica com as pernas bambas. O medo de terem distorcido sua palavra é gigantesco. Esse tipo de reportagem é aquela que eu acho extremamente saudável pro parkour, sem contar que é uma mão na roda pra apresentá-lo à comunidades locais.

Sugiro que as pessoas usem e abusem desse artificio. Jornal impresso é muito lido e normalmente serve otimamente para divulgar que a atividade existe em seu estado (me alegro muito em saber que a maioria dos oficiais militares lêem jornal impresso). E se vocês derem a sorte de pegar um jornalista como o Ben-Hur (velho, brigadão por tudo!) o resultado não tem como ser melhor.

domingo, 7 de junho de 2009

Sims e Nãos




Você sabe a diferença de um para o outro?
Nunca havia procurado uma resposta pra essa pergunta.

Em minha cabeça, o "não" sempre foi a escolha sábia e o "sim" a cômoda. No ensino médio eu não precisava ter uma justificativa para marcar que o item era "verdadeiro", mas precisava estar muito seguro e com as idéias muito bem alinhadas para dizer que ele era "falso".

E o que falar de influência externa?
Numa conversa entre amigos é muito melhor para sua imagem optar em concordar com o que ele diz, mas é preciso muita bravura pra dar a sua cara ao tapa e dizer "não acho", "não concordo" e "não quero" para ele.

Acho que é por ter dado minha cara a tapa muitas vezes que meu grupo de amigos é seleto. As pessoas simplesmente não gostam de receber "nãos" e eu sempre fui uma pessoa que sentia um certo prazer em distribui-los. Ser criticado, e principalmente quando você espera um elogio é algo que pode destruir um relacionamento. Minha família, com o tempo desenvolveu um escudo contra mim:

"Só pergunte a opinião do duddu se não for se chatear com o que ele pode vir a te dizer".

Por diversas vezes eu vi minhas irmãs, antes das festas, perguntarem "como estou vestida?" pra todo mundo... menos pra mim. (É que como eu tenho intimidade eu uso adjetivos como "mendiga, palhaça, pata choca, mulher de vila..."). huahuahuaua!

Mas é com prazer que em todas vezes que algo de importante estava pra acontecer com elas, eu as via se dirigir a mim e falar:
"Duddu, preciso de sua opinião/conselho".

Isso não é uma forma de egoísmo?
Eu escolho sempre ser verdadeiro comigo mesmo e não necessariamente pensando na pessoa.

No parkour é comum pedirem minha opinião sobre uma movimentação ou um video. E quando eu não conheço muito bem a pessoa, eu já cheguei ao cúmulo de perguntar:
"olha, você quer que eu fale o que vai te agradar ou o que eu estou pensando?".

Se responde que quer o primeiro eu falo tudo que achei legal, se responde o segundo eu falo tudo que achei legal e despejo a lista (normalmente grande) de coisas que achei ruim.

Foi essa a forma que aprendi a lidar com essa caracteristica humana de sempre buscar a aprovação. Pelo menos assim eu não me sinto "mentiroso" (e quem me conhece sabe o quanto odeio essa palavra).

Eu não sabia que tinha tanto a falar sobre esse assunto!
E olha que nem cheguei ao meu objetivo inicial!

Como visto acima o "não" pra mim sempre foi um amigo. Ele é o reflexo externo de meu senso crítico, de quem eu sou mentalmente e absolutamente. Mas tanta negatividade podem trazer consequências... er... negativas.

Nos últimos meses ocorreram uma sucessão de fatos que me fizeram repensar meu comportamento. A quantidade de "nãos" que eu chego a dizer diariamente me assusta. E com a ausência de um simples "sim" eu deixei, em 23 anos, de passar por experiências que teriam sido valiosas.

Convite pra ir com amigos a um show que não gosto.
Convite para se encontrar com amigos que eu não via a anos.
Convite para ficar bêbado com amigos do lado.
Convite para sair com aquela menina que dava mole e eu nem ligava.
Convite para ir com amigos a um puteiro.

Como eu posso, verdadeiramente, viver diariamente uma disciplina que me incentiva a enfrentar obstáculos, se eu usava o "não" para me esquivar deles?

Eu não estou dizendo que passarei a dizer "sim" a tudo. Mas é que muitas vezes perdemos essas oportunidades por comodidade. Não queremos sair de nossa rotina ou contrariar o nosso dilema interno de "eu gosto disso e não gosto daquilo". Como vou saber se gosto de algo sem ter provado?

E na "pior" das hipóteses, em todos os 5 exemplos que eu coloquei ali em cima, por pior que o local ou a noite fosse, eu estaria ao lado deles: amigos.

É uma nova experiência que coloca meu corpo e mente a prova. Não vou jamais fazer algo que vá me prejudicar integralmente. Eu sou o meu bem mais precioso. Mas a todas oportunidades que a vida e meus amigos fornecerem, se eu estiver certo que não trará um mal irreparável, eu vou me jogar de cabeça.

As vezes tenho medo de escrever abertamente desse jeito no meu blog porque são transformações pessoais e experiências que eu compartilho sem saber aonde irão me levar. É uma exposição? Sim, é. Mas eu não me sinto (ainda) incomodado com ela.

Então, por favor, nunca tome o que ler aqui como verdade. Eu vou errar muito e vou acertar outras vezes. Dessa vez eu apenas quero ter certeza de que deixei a porta aberta para que as coisas aconteçam.

Agradeço, em especial, ao Edi, Pop, Leleo, Bata, Ítalo, Diogo, Jean, Ísis, Bacon, Gustavo, Fred, Cintia, Monique, Ingrid, Kako, Fábio Gomes, Sayuri e ao Jim Carrey.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

"No Pain, No Gain"




Lendo o título do tópico, eu pensaria: “Agora ele vai contar o quanto tem treinado pra evoluir”. Mas não. Esse é um daqueles posts chatos que não se focam em meu treino físico, mas sim no que anda passando por minha cabeça.

Eu odeio clichês. Não suporto papagaismos e só falto morrer quando modas como “Isso é Mara” ou “Ronaldo” ganham o boca-a-boca ao meu redor. Pra mim isso é o resultado de uma mente que se deixa influenciar facilmente sem apresentar o mínimo de senso crítico.

No Parkour não é diferente. Logo a princípio, antes mesmo de ser apresentado aos aspectos da prática que realmente me apaixonariam por ela, eu aprendi que:

Eu tenho que sofrer.
“No Pain, No Gain”

Eu tenho que ser útil.
“Etre Fort Pour Etre Utile”

Eu tenho que me cuidar.
“Etre et Durer”

Claro que pra pessoas que não tem uma direção a seguir, esse mundo de frases feitas se torna uma bíblia. Eu, particularmente, nunca dei bola; sempre entrou por um ouvido e saiu pelo outro. No máximo, incorporei algo do conteúdo que achei útil, mas isso sem a supervalorização da frase.

Duas delas são oriundas do método natural de Georges Hébert. O cara era um visionário e o seu pensamento de “ser forte, ser útil e durar” ajudou a nortear tanto o rumo da educação física moderna quanto os princípios do parkour em si.

Porém, eu me recordava de já ter visto a “No Pain, No Gain” em algum lugar. Quando a ouvi no parkour, fiz uma pesquisa e constatei que ela é o pilar para várias outras atividades físicas como: halterofilismo, fisiculturismo, bodybuilding, circo, ginástica artística e rítmica e qualquer outra onde a busca por resultados seja a propulsão para se treinar.

Semana passada, durante a aula de “Literatura Norte-Americana III”, um cara chamado Benjamin Franklin disse:

“A indústria não precisa de um desejo, e aquele que vive de esperança é o que morre mais rapidamente. THERE ARE NO GAINS, WITHOUT PAIN”.

O Caminho Para a Riqueza (1758)


O cara foi filho de um vendedor de velas que tinha 17 filhos e que por isso o pai só pôde lhe pagar dois anos de educação. Com certeza esse cara tinha uma infinidade de experiência para compartilhar por ter saído desse cenário social e se tornado o criador do “American Dream” e o pilar da independência americana.

Mas, o que me chamou muito a atenção foi o desvirtuamento que a frase de Benjamin sofreu com o tempo. O “pain” a que ele se referia não tinha muito a ver com “dor, sofrimento, repetições infinitas e cansaço físico” a que hoje nos referimos. É comum em atividades como o halterofilismo você se deparar com atletas que vão parar em hospitais por conta do esforço empregado. oO

Eu acho que a intenção de Franklin era inspirar as pessoas a deixar a preguiça de lado e construir um mundo melhor pra si mesmo com as próprias mãos; e não entrar em um processo doentio em busca de resultados (onde em muitas vezes se perde o prazer de cada passo que constitui essa busca). E por isso, termos como “dedicação, vigília e prontidão”, ao meu ver, seriam uma tradução melhor para “pain”.

Ao que remete ao parkour, a desvirtuação da frase é ainda um pouco pior. Eu já me deparei com tracers que se cortam, quebram ossos, batem canela por falta de prudência e quando você olha pra eles, com um sorriso amarelo, eles soltam a pérola: “Velho, é assim mesmo, no pain, no gain”. Quanta irracionalidade desse fi du cabrunco!

Por isso que sou ferrenhamente defensor dos “tracers pensantes”. Não me importa se pensam igual a mim, me importa que pensem! Essa política de muito copiar e pouco se analisar pra enfim tomar um partido, me irrita.

No twitter, o Rachacuca recentemente postou algo como “Deixe para xingar o despertador depois de ter se levantado para o desligar”. É esse o significado do “No Pain, No Gain” que eu acredito me ser útil.

Quanto ao sofrimento em demasia ou a idiotabilidade de se justificar falhas com frases, eu deixo para aqueles que precisam provar algo a alguém. No mais, o objetivo do meu treino é ser agradável a mim.

Com todo respeito aos masoquistas de plantão:

Busquem frases para justificar sua busca e resultado, eu buscarei me respeitar e me divertir.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

“Meu Pé, Meu querido Pé!”


Um ginasta perfeito é um ginasta que crava sua movimentação. Eu nunca fui um bom cravador. Por mais que treinasse, eu só conseguia terminar o movimento sem ser despontuado se plantasse o calcanhar no chão. Ou era isso, ou então eu dava um passinho pra frente (desconto de 0,10 por passada). No parkour, as precisões trouxeram de volta meu problema com cravamento. E agora? E agora que arrume um outro otário pra chapar o calcanhar no concreto! Não tem mais o fofinho do colchão não, meu filho!

Na última viagem pra Salvador, a gente começou um treino depois da meia-noite. Eu estava alegremente brincando com meu mais novo vício: passadas (saltitos iguais aos do Bambi, imaginando que o chão são corrimãos). E então Fred e Fallux resolvem parar pra assistir a belissima cena que isso deveria ser. Ficamos durante um bom tempo os três analisando minha movimentação, até que o Fallux perguntou: “você não usa o tornozelo?”.

Vou fazer uma pausa aqui pra explicar o que aconteceu com a minha cabeça. Sabe o filme que dizem passar na nossa mente quando vamos morrer? Pois nessa hora, eu vi um mosaico de vários movimentos meus que estão na lista de “preciso melhorar”. E em todos eles eu notei que não uso o calcanhar:

Mortais de costas. Precisões. Amortecimentos. Passadas. Enfim, qualquer coisa que necessite de absorção de impacto ou geração de impulsão com os pés.

Nós três ficamos meio com cara de “????” porque isso é como caminhar... TODO MUNDO FAZ NATURALMENTE! Menos o abestalhado que tá digitando...

No outro dia, Fred e Fallux separaram um tempinho pra trabalhar exercícios de fortalecimento de pé comigo. Pra minha surpresa eu descobri que sou um Sr. Calça Frouxa! Minha resistência não chegava à metade da deles e minha flexibilidade na articulação do tornozelo é quase inexistente. Fizemos caminhadas usando somente a ponta do pé, depois só o calcanhar (sem tocar os dedos no chão), depois com a lateral esquerda, direita...

Eu suava. Fazia caretas. Até derramar uma lágrima eu derramei (e olha que sou homem!)! Não sei se todo mundo tem tanto problemas pra andar desses jeitos como eu, mas é que doía muito mesmo. Só que era aquela dor de “está forçando muito, porra!”. Isso me fez ver que o fortalecimento dessa área com certeza ajudará na minha movimentação. Estou regularmente trabalhando em cima disso. \o/

Minha saída para a precisão antigamente:



Minha saída para a precisão agora:



Eu ainda não tenho força pra sustentar o impacto do peso do meu corpo em cima do tornozelo, e nem aprendi ainda a usar conscientemente o tornozelo na hora da precisão. Mas quando eu lembro de usar, eu notei que vou muito mais alto, mais longe e mais suave. É só uma questão de hábito e treinamento. Nada que muito suor e trabalho mental não dêem conta.

Agradeço enormemente aos debiloides lá de cima pela ajuda e preocupação. :)

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O Petróleo de Petrolina


Descobri que meu tempo biológico para atualização do Blog é de 15 em 15 dias. Esse é o período certo onde sempre acontece alguma coisa que fica martelando na minha cabeça e é preciso cuspi-la pra fora dela em palavras. Quando eu ultrapasso esse tempo é porque ou estava emendando uma viagem atrás da outra ou a universidade pegou no pé. O meu atraso recente é devido à combinação dos dois.

Deixando minhas lamentações de lado, eu queria citar um recado que um dia recebi: “É incrível como por qualquer besteira o duddu diz que o mundo dele virou do avesso!”. Não foram essas as exatas palavras, mas o sentido sim. Quem a disse foi o Arthur do PKMAX (Bjo Arteba!) cerca de dois anos atrás. Lembro também que o G1 (Morra, Jean!) deu umas risadinhas de deboche em seguida.

Pra mim, era uma época de aprendizado. Eu havia começado a questionar a atividade que praticava e a me libertar da prisão que a falta de informação me mantinha. Por isso era tão comum eu ser surpreendido por opiniões de pessoas que “abriam meus olhos” para uma realidade que eu nunca havia sequer imaginado. Pensando bem, nessa época eu jamais cogitaria a possibilidade de que esses dois (e tantos outros) pudessem vir a se tornar pessoas amigas.

Três parágrafos de introdução para dizer que eu estou apaixonado pelo Jarbas. Eu acho que eu preciso aprender a resumir, né? HAUHUAHUAHUA! Mas como o Arthur diria: MAIS UMA REVOLUÇÃO! Acho que é por isso que eu não morro de amores por gringo. É que tem tanta gente foda ao meu lado, com quem tenho horrores a aprender, que eu acho desperdício de energia pensar no Brasil afora.

No feriado da páscoa, eu, Jean e o Jarbas fomos modinhar em Salvador. Nos encontramos com o Gustavo, Tchuke, Fallux, Fred e outras pessoas que espero que não fiquem bravas por não citá-las. Minhas recordações do cenário baiano para o parkour não era lá esses chocolates todos, e por isso eu fui mais com a intenção de matar a saudade desse povo todo.

Que surpresa agradável!

O bom trabalho que os baianos têm feito no Costa Azul já rende frutos: eu fiquei impressionado com a quantidade de pessoas treinando seriamente, interessadas em evoluir e trocando experiências a torto e a direita. Aprendi muito com essas pessoas e a empolgação delas serviu como um “novo gás” para os meus treinos em Aracaju. Fui muito bem tratado por todos e espero ter conseguido retribuir o carinho da mesma forma.

Mas e o Jarbas velho?

Mermão... Sei lá o que falar dele! Esse cara tem postagem no orkut desde 2005. E onde diabos ele se escondia? Petrolina deve ser onde a casa da peste fica... Só pode!

Meu primeiro contato com ele foi no último “Encontro Nordestino”, porém eu voltei pra casa com a sensação de “não aproveitei a presença do Jarbas”. Minhas condições físicas e mentais no evento não estavam as melhores e muita da diversão pra mim foi deixada de lado.

Essa viagem tinha esse carater de "resgate". Nossa... e eu acho que resgatei bem! Suguei o máximo de experiência dele que eu pude e é foda velho... o cara mora lá onde nem tem energia e computador ainda... tá... até tem... mas ele é dono de uma fibra e uma força de vontade invejáveis! Quando ele me dizia no msn “acordei hoje às 4 da manhã e treinei até as 6 antes do trabalho” parecia mentira. MAS NÃO É.

A dedicação dele e o zelo pelo parkour são admiráveis. Depois de um ano de treinos em Aracaju eu estava ávido pra conhecer novas pessoas. O Jarbas levou três. Na primeira noite ele disse: “Conhecer e estar aqui com vocês pra mim já valeu a pena a viagem... o que vier é lucro!”. Até parece! Nós fizemos a viagem valer muito mais a pena!

Foram horas de suor ao lado dele... e quando a gente se cansava... açaí pra repor as energias e voltar a treinar! Teve uma hora que eu comecei a rir da imundice que minha roupa tava e quando olhei pro Jarbas ele estava tão sujo quanto! HAAHUHUAHUHUHUHUAHUA! É um espírito de menino que contagia!

No dia em que ele foi embora, ele me acordou às 6 da manhã, me deu a camisa que usava e se despediu. Eu tava meio grogue de sono e voltei a dormir (a gente sempre ia dormir tardão da noite batendo papos). E nesse dia em especial só acordamos ao meio-dia. Quando me levantei olhei pra mim e... CARALHO! EU TÔ VESTIDO COM A CAMISA SUADA DO JARBAS!

Por mais gay que isso pareça, significou muito pra mim. É mais um gigante digno de minha admiração e que eu tenho certeza que ainda renderá ótimos momentos de parceria.

Camisas de parkour eu tenho várias... mas a do Oparra me faz pensar em quanto esse cara suou vestido nela e isso é uma inspiração e um orgulho que eu faço questão de registrar.

sábado, 4 de abril de 2009

Survivors!



Nunca fui muito fã de história. Lembro que na escola de freiras onde tive minha formação básica, o aluno ganhava 2 pontos por comportamento e os 8 pontos restantes eram do resultado da prova escrita. Nessa matéria eu tinha comportamento ZERO e na véspera da prova decorava completamente o capítulo para tirar o meu 6 ou 7.

Uma vez meus colegas contaram isso para a professora e ela disse que se eu citasse a página completa eu nem precisava fazer a prova. Foi o primeiro (e acredito que único) 10 que já tirei nessa matéria. E assim cresci. Passei anos enrolando a mim mesmo e só vim descobrir que essa “merda” valia pra alguma coisa anos depois.

Ainda hoje não consigo transformar os erros dos meus antepassados em acertos para o meu presente. Sou do tipo cabeça-dura que apanha na cara pra depois poder dizer: “ah... agora entendi”.

Os membros do Ibyanga, em sua grande maioria, são mestres no assunto. Ao menos quando querem usá-lo como apoio para as atitudes que tomam. É um tal de socialismo pra lá, democracia pra cá, anarquismo por baixo... Sempre que estamos juntos muita crítica é feita e várias delas fundamentadas em conceitos que não pertencem ao meu vocabulário. Eles me influenciaram a buscar compreender os diversos sistemas de governo existentes e a entender o que nomes como “Che Guevara”, “Rousseau” e “Hitler” querem significar.

Tenho lido cada vez mais sobre o assunto e hoje entendo um pouco melhor porque eles criticam tanto o método de governo brasileiro. O capitalismo encontra-se infiltrado em todas as relações sociais (parkour inclusive) e o conceito do “ter para ser” é evidente até em miudezas de nosso dia a dia. Você sempre se considera superior a alguém por deter algo que julga faltar a ele. Seja um conhecimento, uma habilidade ou um bem material.

A verdade é que eu tenho medo do homem. Tenho medo de não haver limites entre mim e as pessoas e mais medo ainda de que elas não tenham limites perante mim. Regras existem, basicamente, para melhorar o nosso convívio social. E eu lamento o desejo das pessoas que anseiam viver distante de um código de leis.

O ser humano é o mais maluco dos seres. Se o nosso sistema de sociedade não existisse, se hoje o governo caísse, se estivéssemos somente por nossa conta, EU ENTRARIA EM PÂNICO! Toda selvageria humana que é contida pelas regras e leis viria à tona! A propriedade privada cairia de imediato: Seríamos livres para ir aonde quiséssemos, mas reclamaríamos quando nosso espaço fosse invadido. Será que realmente haveria liberdade em um ambiente onde os limites não seriam mais respeitados?

O próximo viveria realmente próximo, e me cago de medo ao pensar no uso que daríamos a essa proximidade. Eu me relaciono super bem com as pessoas, mas preciso que elas mantenham-se em seus lugares para eu me sentir seguro! Numa terra sem lei tudo pode acontecer, principalmente se tratando de gente.

Eu, ao menos no momento, me sinto totalmente incapacitado de lutar em um mundo onde tenha que cruzar o limite de alguém para atingir os meus objetivos. Não tenho dúvidas de que acharia uma forma de “sobreviver”, mas também tenho certeza de que a consciência por cada atitude tomada me faria perceber que não é dessa forma que eu gostaria de "viver".

Eu dependo de cada um de vocês.