domingo, 10 de janeiro de 2010

Isso que é old school?


Nunca somos os mesmos. Foi uma das primeiras lições que o Parkour intelectualmente me ensinou. Cada treino, por mais simples, cada vitória, mesmo pequena, me elevavam um degrau rumo aos objetivos que, no inicio, nem eu mesmo sabia quais eram. Uma escada de aprendizados que ainda hoje não consigo visualizar onde termina.

Esse foi o começo. Cheio de erros e com alguns muitos acertos. Uma época feliz e que me traz nostalgia do clima que era sentido e vivido no Brasil e até nordestemente falando. Muitas pessoas passaram bons e maus bocados ao meu lado e tantas outras passaram o mesmo distando a quilômetros dele. O Orkut e o Youtube eram os atalhos que nos unia e fazia com que eu, mesmo longe pra caralho, me sentisse parte de uma “unidade”. Eu estava ligado, de certa forma, a pessoas que perseveravam e galgavam os meus mesmos degraus. É... no inicio tudo era tão melhor.

Eu buscava entender nos vídeos como meu corpo deveria se movimentar. Afinal de contas, era um mundo novo, cheio de variáveis e minha compreensão era muito infantil para dar a base que necessitava. Os vídeos e a experiência dos antigos era uma cartilha de sabedoria que fazia brilhar intensamente a direção que eu queria seguir. Me traziam a mensagem de que “Hoje aqui... amanhã lá!”. Eu sabia que, um dia, nós (que começávamos agora) seriamos o horizonte de novos iniciantes, e que eles, assim como eu fiz, se empolgariam com a idéia de se tornar um “ícone”. Mas eu gostava mais da internet nos meus primeiros tempos de Parkour.

O passar do tempo fez com que eu perdesse o gosto pelos vídeos. Até ouvir o que certas pessoas têm a dizer se tornou algo nocivo pro meu crescimento. Os vídeos que antes circulavam acompanhados de frases como “qualquer ajuda é bem vinda” ou “sua opinião me ajuda a crescer”, hoje, infelizmente trazem “assista, comente, avalie e subscreva”. Assim mesmo, frio, grosso e no imperativo. Uma ordem. As pessoas só querem saber de tornarem-se vistas, elogiadas e famosas. Se você assiste, ela ganha “views”. Se você comenta, ela ganha uma massagem no ego. Se você avalia, as estrelinhas do youtube sobem. Se você subscreve, ela ganha um público cativo e fama.

Ter a fama, ou melhor, buscar a fama talvez tenha se tornado o atual objetivo de porque algumas pessoas fazem um vídeo (não sou maluco de generalizar jamais!). A invasão de demos, showreels, prévias, e tanta papagaiada conseguiu subir a cabeça dos praticantes de Parkour e fazer com que o ego falasse mais alto que a necessidade de crescimento pessoal. Vale tudo por um espaço aos holofotes!

Acredito que estou sendo bonzinho por não ter comentado ainda a nova onda de “inspirar através das frases”. Ah... Essa é a melhor! Todos nós viramos filósofos de bar. Os nomes dos vídeos deixaram de ser “Treino com os amigos do Sul” para ser substituído por “A arte sentida no meu coração!” (aka The Art Of My Heart! Porque no inglês fica gringo!). Cara... Que profundo! Não te dá uma vontade de chorar? Eu choro... na maioria das vezes não sei se por raiva ou nojo. Apenas frases de impacto; algumas muitas retiradas do último livro auto-ajuda que leu.

Aprendi que o que busco com o Parkour já está dentro de mim. Não preciso mais de novos referenciais imediatos. Não preciso saber da nova moda dos Europeus (o moletom dos ingleses, a camisa listrada e os girinhos pole-dance do Oleg, as tiaras do Vigroux e do Ilabaca...). Eu já sei andar, sei correr, sei subir um muro... não era essa a base que eu buscava para seguir adiante? E ainda por cima eu estou rodeado de amigos maravilhosos; pessoas com quem terei espaço para conversar e trocar idéias o resto da minha vida.

Me entristece porque antes eu gostava muito de assistir vídeos. Ainda gosto muito, é verdade, mas é difícil encontrar um que não esteja mascarado com a necessidade de autopromoção. Os dos conhecidos eu ainda faço um esforço porque ajuda a matar a saudade e, mesmo podendo não ser mais o objetivo de alguns deles, eu ainda sou chato de fazer meus comentários da mesma forma que fazia a 3 anos atrás. E tem também os daquelas pessoas do meu coração. Os que eu tenho a certeza de que meu tempo ao assistir não estará sendo desperdiçado.

Ah Fábio... Eu não podia escrever essa postagem sem tocar no seu nome. Lembra quando a gente digladiava-se por horas no msn a respeito dos vídeos brasileiros? Enquanto eu defendia “O importante é mostrar como está a movimentação e obter o auxilio que precisa; ou então registrar um bom momento que viveu”, você gritava comigo que “Se vai fazer, porra, faz bem-feito! Para de tremer o caralho da câmera! Aprende a editar fora do movie maker! Bola um roteiro legal!”. Dizia que todo praticante de Parkour deveria estudar também para ser um bom editor. A gente chegou até a ficar chateado um com o outro umas vezes, tá lembrado? QIUOUPQIOUWPIOQUOWUOPQUWPIUOQIOPWUIOP!

Ah meu amigo... Eu me pergunto o que você faria agora. Quantas novas maneiras de se empurrar a cara de uma pessoa na lama você iria criar para destilar sua ironia e sarcasmo em cima dessas pessoas que possivelmente corromperam o seu espírito de treino.

Eu estou bem comigo. Quanto mais subo degraus, menos à vontade me sinto com essa publicidade. Adoro estar rodeado com os amigos e gravar os momentos de diversão. Quando a gente se separa, por vezes, até fico querendo chorar ao assistir as boas recordações que produzimos. E durante a virada de ano eu conversei com esses mesmos amigos de como será maravilhoso mostrarmos para os nossos filhos e netos essas coisas: “Olha o Gustavo noob no 1º Encontro Nordestino de Parkour!”... “Caralho, como o cabelo do Edi tava feio na virada de 2009!”.

É isso.

Meus treinos têm sentimento. Minha arte é viva e minha sede pelo equilíbrio é justa. Mas não é maior nem superior a de ninguém e muito menos eu quero fazer disso uma arma para ser reconhecido em meio à multidão.

Eu quero que você me avalie. Que faça comentários de como posso melhorar e que me subscreva em sua vida como um amigo que está ao seu lado já há um bom tempo. A idolatria, a fama e as estrelinhas? Coloca nos seus bolsos. Você é tão merecedor dela quanto eu.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Ímpeto!


Se você já leu dicas em inglês sobre movimentação já deve ter se deparado com a palavra “momentum”. Não vou negar: nunca compreendi direito o sentido dessa palavra e muito menos o que ela na prática significa. Desde a época da ginástica eu tentava achar um termo brasileiro que traduzisse a intenção dela e não conseguia.

Recentemente, enquanto estudava minha própria movimentação, a resposta simplesmente brotou do nada: ímpeto. Uma palavra tão pouco utilizada, marginalizada em nosso vocabulário, e que é responsável pela fluência perfeita almejada pelos praticantes de Parkour.

Explico. Se a fluência é o objetivo do tracer, o ímpeto é a força que atua alimentando o seu flow. É um pouco complicado de entender. Demorei um tempo até que ficasse claro em minha cabeça, mas acho que usando o Super Mario eu exemplifico melhor:

Lembra de uma fase onde o chão é coberto por tartarugas de espinho que aquele sol maldito fica jogando de cima da nuvem? Mario não é capaz de matá-las pulando em cima e nem pode tocá-las sem morrer. Então a fase traz pontos específicos onde uma estrela cai do céu e te dá imunidade contra as tratarugas. Para passar, você pega a primeira estrela, corre que nem o cabrunco, atropela todas as desgraçadas, e tem que pegar a próxima estrela antes do efeito da anterior acabar. Se demorar, hesitar, ou pensar duas vezes, não dá tempo e o poder de invencibilidade acaba. Uma corrente que deve ser mantida a todo custo.

Outro exemplo:

Tente se imaginar por um segundo durante uma corrida de 100 metros rasos. Você tem cada passo garantido (ou é idiota de errar o chão?) e por isso é capaz de imprimir em sua movimentação o máximo de explosão que o seu corpo pode ceder a ela. Cada músculo é ativado com o propósito de te impulsionar a frente. Seus pés trabalham em uníssono com o objetivo de te jogar adiante. Sua mente tem o foco de te fazer alcançar a linha de chegada no menor tempo.

BINGO!
Isso é o ímpeto!
Isso é o momentum!


Algo que me ajudou muito a entender esse conceito foi o treino de passadas (passos largos em corrimãos, muros...). Antes eu corria em direção ao obstáculo e já realizava a primeira passada travando a velocidade com o músculo da coxa. O medo de errar o local do pé fazia com que meu próprio corpo lutasse contra a movimentação planejada. Em condições como essa, onde você se torna seu obstáculo, o sucesso é muitas vezes comprometido.

Eu não sei definir se o bloqueio do ímpeto é algo mais físico ou mental. O que já sei é que o menor pensamento de falha, a menor negatividade que eu tiver, ou o milésimo de segundo de hesitação que manifestar, refletirá na forma como meu corpo irá se movimentar.

Tenho obtido bons resultados em “liberar o meu ímpeto” através de treinos de manutenção de velocidade: ultrapassar obstáculos de modo a conservar ou aumentar a velocidade, e evitando, ao máximo, reduções de marcha. Com isso tenho conseguido até eliminar aqueles passinhos irritantes que às vezes fazemos para consertar a perna que iniciará determinada movimentação. Se você treina seu ímpeto você fica pronto pra agir da forma que seu corpo se encontrar. Detalhes se tornam apenas detalhes e não mais os responsáveis pelo seu acerto.

Desenvolva um senso critico de movimentação. Analise fisicamente e cruelmente a movimentação de outras pessoas. Ache os “erros” que elas cometem durante seus percursos e imagine o que deveriam ter feito para melhorá-lo. Ultimamente eu gasto muito tempo observando meus parceiros de treino e apontando para eles o motivo de “não estar indo muito longe”, “não conseguir alcançar determinado lugar”, “travar o flow”... É como tocar uma ferida com o dedo. E, em sua maioria das vezes, a resposta que tenho como retorno é “eu nunca tinha parado pra pensar nisso”.

Pois pense! Grave seus próprios percursos e analise-os da mesma forma clínica e cruel. Se não achar a solução do problema, não se desespere. Compare sua movimentação com a de alguem que atinge o objetivo que você pretende alcançar.

Sei que é óbvio, mas eu no momento enxergo melhor que o que diferencia o meu êxito do meu fracasso são os erros e vícios que eu mesmo criei. O corpo é meu e a culpa é minha. Se aprender a achar esses meus erros e tiver a atitude coerente para consertá-los... E o limite? Onde está o limite?

Desculpa! Não resisti! É que criar frases de impacto é a nova moda!
HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUHUA

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

525.600 minutos



Faz 10 dias que fiz aniversário e ainda não fui ler as mensagens que recebi no orkut. No ano passado eu lembrei de desativar esta opção, mas atualizando o profile, ou sem querer, eu devo ter recolocado. Isso me fez comparar o duddu de quatro anos atrás e o que hoje eu vejo no espelho.

Sempre amei aniversários. Esperava o ano inteiro pelo 10 de novembro, dava dicas aos meus pais e familiares das coisas que eu gostaria de receber, não chegava ao cumulo de anunciar para todos o “hoje é meu aniversário”, mas amava receber telefonemas, mensagens fonadas, cartões... Até o cantar dos “parabéns pra você” era foda pra mim. Um rito de passagem. Uma celebração de pessoas dizendo que me amam. Um retorno de tudo aquilo que devotei a elas o ano inteiro. Um feedback que meu ego precisava para saber e mesurar o quanto eu era querido.

Meu deus como eu era tolo e egoísta! Não posso dizer que o Parkour me fez mudar nesse aspecto, mas posso dizer que a convivência com as pessoas que ele trouxe pra minha vida sim. Minha consciência de quem eu sou, e do meu papel no mundo e sociedade foi muito influenciado por elas. E logo eu que sempre me vi como fortaleza onde somente eu sabiamente escolheria os rumos a tomar. Pois é, quanta balela... Hoje enxergo que muito do que sou é reflexo das boas companhias (sim, apesar de tudo vocês são boas companhias) que eu tive.

Sinto que estou perdendo o foco do meu texto; deixar o fluxo da consciência e minhas memórias tomarem conta dos meus dedos não deve ser algo legal de se ler, então voltarei ao meu aniversário. Ele não significa mais nada do que significava há quatro anos. Tá lá no meu orkut mais de uma centena de recados e a única certeza que tenho é que a esmagadora maioria me desejou felicidades pela convenção social (e o lembrete de datas do orkut).

Meus amigos me desejam coisas boas todos os dias. Meus pais e irmãos demonstram amor por mim todos os dias. As pessoas que me cercam me tornam uma pessoa melhor todos os dias. Porque diabos então eu precisaria de um dia para ser lembrado e homenageado? Nesse momento eu só consigo escutar a voz do Edi gritando “capitalismo” na minha cabeça... hahahahhaha! A cada dia estou mais certo disso. Vivemos em um mundo altamente capitalista onde o peso de datas festivas faz engordar as fatias de lucro dos mercados. Não me sinto bem sendo manipulado dessa forma.

Faz quatro anos que deixei de dar presentes a meus pais nos aniversários e dia dos pais. Minhas irmãs sempre cobram a caixinha enrolada numa fita, e pior, elas ainda contabilizam quantas eu já estou devendo. HAHAHAHHAHAA! Mas eu faço questão de tentar fazer dos 365 dias do ano deles, um aniversário. Eu as vezes não consigo. Sou burro pra caralho. E embora não pareça, eu acho que tenho muito problema em demonstrar sentimentos pras pessoas que gosto. Tenho mudado esse traço de personalidade, mas ele ainda se encontra meio rude.

Podem não acreditar, mas isso é muita verdade! O duddu que se apresenta nos eventos de Parkour e pros novos amigos é ainda um projeto. Estou em uma mudança de valores constante desde que o Parkour entrou na minha vida e acredito que uma conversa de 10 min com minha mãe revelam isso pra qualquer um... ahauahuahuahuahuahuhuahua!

Fugi do tema de novo... eta cabrunco! É hoje! ¬¬

Enfim, se você é um dos scraps que eu não respondi, não pense que eu não dei bola pra ele... tenha certeza! Cada um sabe o impacto que causa na vida do outro e eu mesmo nunca imaginei estar cercado por pessoas (que não fossem familiares) por quem eu estaria disposto a me sacrificar.

Uma data é apenas uma data. E esse duddu não precisa mais de um dia festivo onde alguns terão a obrigação de dizer o quanto ele é especial. A verdade é que esses “alguns” já fazem todo o meu ano ser especial.

“NO DAY BUT TODAY!
MEASURE YOUR LIFE IN LOVE!”


(Rent - Os Boêmios)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A Criança Interior


As coisas que acontecerem nas últimas semanas parece que foram premeditadas para me obrigar a fazer essa postagem. Eu sou um cara bobão, com espírito criança... porém todo esse ar infantil não modifica a minha realidade em que vivo: um mundo que é, por sua natureza, adulto. Não tenho contato diário com crianças e, muitas vezes, passo um bom tempo sem conversar com uma.

Durante a virada esportiva, eu tive a oportunidade de orientar muitos iniciantes, mas nenhum deles me deu tanto prazer como a tropinha de seus 11 anos que, subitamente, parecia ter brotado ao meu lado. Eles são os parceiros de treino perfeitos! Topam de tudo, conversam com naturalidade, não sentem pudor ao toque, treinam porque se sentem bem e fazem questão de que cada momento empregado no treino seja em prol de seu próprio objetivo (diversão).

Nesse dia em específico, eu lembro que por diversos momentos os papéis se inverteram: eles é que me instruíam e mostravam o que eu devia fazer pra me divertir como eles. Cheguei várias vezes a entregar a liderança do percurso para eles só pra ver o grau de macacadas que iriam aprontar! Huaahuahuahu! E foi muito legal! Tive que me arrastar no chão, galopar os corrimãos mais baixos e não saltar os maiores (porque obviamente eles não alcançavam) e tomar rotas que eu provavelmente não escolheria. O meu “guia” de tempos em tempos olhava pra trás com aquela cara de “deixa eu ter certeza que ele está me seguindo mesmo afinal ele é um adulto...”, e eu até agora lembro da cara de espanto dele ao constatar que “é... ele ta mesmo fazendo tudo que eu faço...”.

O tempo passou e aquela lembrança voltou comigo pra Aracaju. Os treinos por aqui estavam da mesma forma: pouco motivados, sem caras novas e com as pessoas infelizmente só se dedicando ao Parkour de final de semana. A realidade daqui, inclusive, não contribuiu muito para que a campanha do “One Giant Leap” em Aracaju fosse tão boa como poderia ser, mas eis que o evento produziu um fruto único: crianças.

Elas, que estavam no parque passeando com os pais, se misturaram aos poucos iniciantes daquele dia e me obrigaram a largar o treino avançado para me dedicar as suas traquinagens. O local era um tanto perigoso para treinarem (uma árvore única que alcança uns 5 metros de altura) então por isso eu me desloquei com o grupinho para uma área mais neutra. O “tio”, que constantemente era dito pra mim, me deixava muito feliz e me fez sentir novamente aquela sensação da virada esportiva. Conversei com elas e após ver que eu estava lidando com novos praticantes em potencial, tomei a decisão de trazer os treinos de iniciantes do GT para Aracaju. Estamos partindo para a quarta semana com um treino semanal, e embora eles sejam poucos e nosso tempo a principio curto, é o suficiente pra nos divertirmos juntos e aprendermos uns com os outros.

Vou aproveitar o espaço e o tema e registrar dois acontecimentos que ocorreram durante os treinos do GT por aqui e que eu quero me lembrar sempre e sempre.

Léo é um menino de 12 anos, classe média-alta e super-protegido pelos pais. Ele me adicionou no msn do nada e colocou na cabeça que queria treinar parkour. Fiz um tratamento de choque dizendo que ele seria mais um que quando visse o quanto parkour é difícil iria largar de imediato. Engano brutal. Esse menino têm demonstrado uma vontade de aprendizado incrível e têm me ajudado muito no meu próprio entendimento de “o que quero com o parkour e como atingirei meus objetivos”.

Quando cheguei ao primeiro treino de iniciantes, o Léo e um amigo dele estavam pulando de um local um tanto alto e caindo com toda força no chão. De imediato tomei uma decisão: todos os treinos de iniciantes seriam descalços.

Mas não pense que foi fácil... saca só a conversa após o alongamento:

- Bom pessoal, vamos começar. Mas antes queria pedir que vocês tirassem o tênis.
- Porquê?
- Porque treinar descalço vai te ajudar a conhecer melhor seu corpo e a não confiar no excesso de segurança que o tênis te dá.
- Mas se eu tirar o tênis meu pé vai começar a doer e eu não vou conseguir fazer nada.
- Léo, eu te garanto que você vai treinar numa boa e que essa dor será mais um motivo para você aprender a se movimentar sem fazer algo que machuque seu pé.
- Mas você disse que ia treinar com a gente também e que não ia ficar só falando.
- Ué, mas alguém disse que eu não vou?
- Mas você vai treinar sem tênis também?
- Exatamente.


Eu sentei no chão e tirei o meu. Após ele ver que eu estava me igualando a ele, ele se sentou e retirou o dele. Achei muito interessante esse raciocínio e o questionamento. Me fez perceber que se naquele momento eu frustrasse a expectativa dele, as recomendações que fiz ao longo do treino não teriam sido tão bem absorvidas. Nos treinos vou sempre fazer o meu máximo pra me igualar. Antes de ser visto como “o instrutor” eu prefiro ser visto como “o colega”. Estar ali no meio, sofrendo em conjunto e compartilhando o mesmo trabalho é fundamental nesse processo de aprendizado em duas vias.

No mesmo dia, após já termos treinado pra caramba, o Léo saiu com mais dois meninos para pedir água numa lanchonete. Quando fui atrás deles me deparei com o Léo atirando um copo descartável no chão e vindo ao meu encontro. Deu-se o outro diálogo:

- Cara, eu só saio daqui quando você voltar lá, pegar o seu copo e jogar no lixo.
- E porque eu tenho que fazer isso?
- Porque a praça não deve ser culpada pela sujeira que você criou. Quando a gente chegou aqui ela tava limpa.
- Todo mundo joga lixo na rua.
- Mas a gente não vai jogar. Vamos fazer assim, todo lixo que a gente tocar a gente fica sendo responsável por ele e tem que dar um fim.
- Então porque você não jogou no lixo aquele pedaçinho de papel que você pegou no chão no começo do treino?


Eu senti o chão sumir dos pés. Antes do aquecimento, eu tinha pegado no chão um papelzinho de uns três centímetros, li o que estava escrito e devolvi pro mesmo lugar. E agora? Como inspirar "o correto” se eu não fiz o correto? A única coisa que me veio a cabeça foi:

- É mesmo. Você tem razão.

Dei meia volta peguei o papel e joguei no mesmo lixo que ele já estava colocando o copo descartável.

Analisando a situação mais tarde, vi que essa foi a melhor postura que eu poderia ter tomado. Apesar de ser mais velho e mais experiente, eu não posso pensar em ser superior a eles, pois na maioria do tempo eles estão vidrados em tudo que eu faço. E se eu for irredutível ou tentar mascarar os deslizes que cometer... como diabos terei autoridade suficiente para cobrar?

O rosto do Léo ao ver que “tinha me pego” era bem do tipo “olha, ele também erra” e melhor ainda, era “olha, eu posso falar porque ele ouve o que eu falo”.

Eu vou tentar manter o máximo possível essa postura flexível. Claro que o controle da situação deve ser mantido, e as vezes precisarei ser rígido, mas tô aprendendo aos poucos que não preciso ser rude e fingir que sou perfeito para ser respeitado ou inspirar alguém.

Tomara que o Léo nunca leia essa postagem, se não ele vai ficar se achando o rei da cocada preta! HUAHUAHUAHUHUAHUAHUAHUHUAHUUHHAHUHUAHUAHUA!

Ah... e meu sobrinho nasceu!
Gabriel, aprenda logo a engatinhar para que o tio possa te ensinar a subir uns muros!

domingo, 13 de setembro de 2009

Barriga Verde



Me sinto extremamente idiota por fazer essa postagem no blog, mas... vamos adiante.

Desde o dia 09/09/2009 (quarta passada) o meu corpo não sente o prazer de comer carne. Sim. Me converti ao vegetarianismo. Não pretendo fazer aqui apologia sobre o assunto e nem tenho intenção que outros me sigam. Quero apenas comunicar a minha decisão e acabou.

É incrível como as poucas pessoas que já souberam disso, manifestaram-se de forma agressiva como se eu tivesse puxado uma coxa de galinha de suas bocas! Eu respeito a escolha delas em comer carne e da mesma forma espero que elas respeitem a minha de não fazer o mesmo. Vá questionar a puta que pariu! Livre arbitrio é salvo conduto!

Apesar de ter conhecimento de muitos dos males (e benefícios) que a carne proporciona, me tornei vegetariano por princípios. Estudei bastante nos últimos dias e estou satisfeito com a decisão. Será mais uma batalha a enfrentar e já senti na pele que não é tão fácil.

Fui educado em um mundo altamente carnal e praticamente todas as refeições do meu dia giravam em torno de carne. Nessa semana eu tive que rejeitar o Burguer King que tanto amava, a alcatra que minha mãe assava especialmente pra mim, e todos os pedaços de charque que ela colocou na sopa (que é tradição da sexta-feira desde que eu nasci).

E sinceramente?
Não quero pensar nas outras coisas que não farão mais parte da minha vida.

Por outro lado, durante a semana consumi vegetais que nem sabia existir: conheci uma folhinha verde chamada "couve" que é fora de série! E, nem eu acredito que vou falar isso agora mas... hoje comi uma carne de soja FENOMENAL feita pela minha mãe.

Fim. Acabou o post. Tchau.

Isso aqui é apenas um marco para que, futuramente ao reler essas linhas, eu me recorde de cada decisão importante que me fez quem eu sou.

AHHH!
Ainda em tempo!

Sempre me vangloriei por saber controlar meus instintos muito bem. É sério! Eu tenho uma capacidade enorme para suportar dor; eu aguento não cagar, acho que, durante uns 3 dias (e olha que diariamente, eu vou 3 vezes ao banheiro); e eu consigo fazer o xixi voltar pra bixiga mesmo quando as gotinhas já começaram a sair!

Sempre achei que as pessoas que não largavam vícios por causa de tentação (não estou falando de dependência química) eram fracas de espírito e dignas de pena. Pois é. Chegou a hora de me colocar a prova e ver se realmente tenho uma força mental tão boa quanto acredito e se sou tão digno assim de minha própria admiração.

Ai meu deus que medo!
Pizzaria... sopa de mocotó... coxinha... pastel... churrasco...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O Treino do Caba Macho



A maior dificuldade que vejo um iniciante enfrentar no Parkour é a falta de uma condição física que dê suporte a tudo que ele deseja aprender. Acredito que não adianta espírito, garra, ou motivação se você não tem tendões, músculos e articulações para entrar na batalha ao seu lado.

Cerca de quatro meses atrás, senti que meu corpo não estava no ponto que eu precisava para alcançar meus próximos objetivos. Resolvi que era o momento de tomar uma atitude com relação a isso e, então, entrei numa academia. Malhei dois meses e foi uma experiência legal. O trabalho localizado e intenso tornava meu corpo mais forte e eu somente tinha que aprender a reutilizar essa força nos treinos de Parkour. Um dia talvez eu faça uma postagem mais complexa sobre isso, pois foi o suficiente para eu chegar a algumas conclusões.

No entanto, uma questão mais ética do que física martelava em minha cabeça. Sentia que o treino indoor numa academia era não só uma prisão como uma negação dos valores que eu buscava no Parkour. Eu estava condicionando minha evolução física a uma rotina chata, presa a um espaço e a aparelhos, e que retirava toda felicidade que eu sentia quando meus músculos começavam a queimar. É muito diferente você sentir essa sensação quando ela é inesperada do que quando ela é justamente o objetivo.

Acho que o lema “Quer ficar forte para o Parkour? Treine Parkour!” não é uma verdade absoluta. Treinos e rotinas físicas são ótimas ferramentas para evolução e autoconhecimento. Mas, no meu caso, prefiro que isso aconteça longe de uma academia. Por vezes eu me sentia um trapaceiro, já que tenho o objetivo utópico de cada dia ser menos dependente de instituições, pessoas e medicamentos; e a academia era justamente mais uma variável nesse rolo todo.

Em meio a todo essa confusão, fui apresentado à nova loucura do Ibyanga: O Treino do Caba Macho. É uma rotina física pra ajudar nos treinos de Parkour e que, apesar de não ter sido criada com nenhum embasamento cientifico ou biológico, é filhadaputamente útil e eficaz se você for responsável e comprometido.

O treino se encaixou como uma luva em minha, então, atual situação. E assim... é macabro! Muito estressante tanto físico quanto mentalmente! E no meu caso, que o realizo 80% das vezes sozinho, torna-se um fardo ainda pior.

É meio estranho escrever em palavras algo que só sabe quem sente, por isso vou ressaltar alguns pontos aleatoriamente aí em baixo e se tiver vontade de entender do que se trata, faça um teste.

Os dias de braço são assustadoramente mais estressantes que os de perna. Climbar uma vez é fácil. Fazer 50 já pesa um pouco. E logo em seguida fazer 100 puxadonas te destrói! Isso tudo se você já não estiver reclamando do sangue e dos calos abertos nos polegares durante as “puxadonas fechadas”. As flexões são somente 100, mas depois de tudo que você já passou... cada uma pesa uma tonelada! Eu sempre tive uma boa condição física da parte superior, mas terminar o treino de braço é sempre um desafio que se eu pensar duas vezes antes de encarar, eu acho que desisto.

Os de perna começaram como um desafio enorme, mas com o passar do tempo meu corpo se acostumou. É que eu não tinha hábito de correr e o início dele é com no mínimo cinco quilômetros de corrida. A parte mais chata são as 100 precisões, pois como a perna já está “afetada” dá um certo trabalho realizar cada precisão perfeitamente.

Em comum com os dois dias, tem as porras dos abdominais estáticos. São os dois minutos mais sofridos de todo o treino, e embora tudo no momento conspire pra que eu não os complete, sempre eu dou um jeito de tirar força do cu e terminar (fico imaginando músicas alegres e coisa inusitadas).

Estou me estendendo demais e essa postagem era pra ser bem curta. No momento diminuí minha rotina: faço ele somente quatro vezes por semana pra deixar tudo mais equilibrado com os treinos de Parkour.

Ah... a maior dificuldade do treino na maioria das vezes não é somente “chegar ao final”, mas “chegar ao final” sabendo que dentro de 24 horas você estará se fudendo novamente. A preguiça pro treino do outro dia começa ainda durante a execução do que você ainda não terminou... é incrível! HAHAHAHAHAHHHAHAHA

Bjo pro Ítalo (nosso caba-macho-mor), Edi, Aaron (nosso caba-macho gringo), Ricardo Farias, Paulo, Marcelo, os cearenses e todos aqueles que de uma forma ou de outra sofrem comigo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Thomas Couetdic & Kazuma



Uma pergunta que ouvi mais de uma vez no Encontro Brasil-França foi: “E aí? Você ainda odeia gringo?”.

Vamos colocar os pingos nos “i”. Eu jamais falei isso. Apenas não nutro, por pessoa alguma, senso de adoração. Um psicanalista poderia catalogar essa minha postura como “orgulho, inveja ou apatia”, mas asseguro que não se trata de nenhum dos três. É que desde pequeno aprendi a não ter ídolos. Aprendi a admirar as pessoas, sem precisar idolatrá-las. E um ídolo pra mim é algo meio divino, as pessoas o adotam como modelo da perfeição e se esquecem de que aquele é apenas outro ser humano, como ele mesmo.

E é assim que eu escolho começar uma postagem falando sobre o Kazuma e o Thomas.

Essa característica de não bajulação era muito presente no grupo com quem eu me encontrava e estabeleceu a conexão na medida certa que precisávamos para construir um elo saudável para a troca de experiências. Pra se ter uma idéia a lembrança mais forte que tenho do Thomas é ele dizendo: “Duddu, o Belle se casou, mas mesmo se não tivesse, você não teria chance porque ele não é gay.”. E a do Kazuma seria ele pegando na minha mão e a gente andando que nem duas amigas no recreio em pleno shopping.

Tenha calma... já vou postar o que você quer ler... mas o blog é meu então sente aí e espere... ¬¬

A maior parte do dia do Thomas é com uma peste de uma moeda na mão e fazendo-a sumir e reaparecer das mais variadas formas possíveis. O engraçado é que ele faz com tanta vontade de melhorar e te pede tanta opinião que você acaba adquirindo gosto pela coisa e aprende vários truques bacanas. Já o Kazuma é o homem das pernas mais bonitas que eu já vi. Menino, quando eu o chamei de “coxudo” e expliquei o que significava... PRONTO! Aí foi que ele começou a forçar mesmo! Parecia um desfile: de cueca, de toalha, de sunga, de toalha rasgada na bunda... hhuahuahuahuahuhuahuahuhu

Mas deixa tudo isso pra lá e vamos ao que interessa!

São duas pessoas ALTAMENTE OPOSTAS quando o assunto é Parkour. Eu buscava pelos pontos em comum e não os encontrava. Se definisse o Kazuma como um Tigre dentes-de-sabre, o Thomas seria um... um... gatinho do Shrek (bonitinho, fofinho mas que sabe cumprir perfeitamente o seu papel).

Eu sei que é tosco fazer comparações quando o assunto é Parkour mas é que era muito estranho! Pra não ficar citando os nomes deles alternadamente, eu vou escrever minhas impressões sobre cada um em blocos separados e você que se vire pra entender.

O Thomas é um cara muito tranqüilo. No início eu achava que ele estava com vergonha da gente porque ele ficava muito calado. Depois que já estávamos mais íntimos, eu pude ver que aquele era um traço de sua personalidade e que, por sinal, refletia em seu modo de treinar Parkour. Ele é extremamente calculista, perfeccionista e concentrado. E não pense que aquela mimosidade toda é sinônimo de fragilidade não... ele é muito forte! Forte ao ponto de durante os workshops conseguir fazer 2 vezes a quantidade de nossos esforços e sem cansar. O resultado não poderia ser outro: os treinos que o Thomas nos convidava a fazer exigiam mais equilíbrio mental do que físico.

Em Brasília ele me falou: “Não importa se é a primeira repetição ou a última, você tem que manter a mesma atenção e vontade. Tente esquecer o mundo a sua volta e se concentre no que você está ali pra fazer”. Estávamos em um grupo de 10 pessoas fazendo um treino de precisão. A meta era contabilizar 10 pontos, sendo que cada ponto só era ganho quando TODAS as 10 pessoas acertassem a precisão consecutivamente. A distância eu acredito que era cerca de 9 a 10 pés com desnível. Não era tão difícil assim, mas a pressão psicológica por saber que o grupo inteiro iria se prejudicar caso eu errasse me preocupava muito. Acho, inclusive, que eu fui um dos que mais falhei. Mesmo que todos ali soubessem que pouco importava “finalizar o jogo”, aquilo era um treino de “agora é minha vez, não posso falhar”. Meu psicológico vacilava às vezes.

Cara, a concentração do Thomas é imensa! Naquela tarde treinamos essa precisão (somente ela) por cerca de 2 ou 3 horas... eu vou chutar que fizemos 500 precisões. Dessas 500 eu vi ele errar 2. DUAS! E isso quando estávamos no final. Quando o pé dele escorregou do murinho, ele olhou pra mim e disse: “Droga! Errei a primeira” e eu respondi: “Eu sei! (seu filho da puta!)”.

Fora isso ele é um cara que consegue se satisfazer com pouco. Quando visitamos a Lagoa, no RJ, ele enfezou em um percurso que envolvia 4 passadas em desnível. Era uma seqüencia um tanto arriscada mas que eu o vi repetir umas trocentas vezes. Cada hora ele fazia questão de incrementar algo: uma posição melhor de mão, um jeitinho mais legal de encaixar o pé... e nisso se a gente deixasse ele ia noite adentro.

Quando questionado sobre o Parkour Generations e Belle, a impressão que me ficou (embora ele não tenha dito com todas as letras) é que o trabalho deles com a PKGEN é praticamente o que todo mundo esperava que o Belle houvesse feito, e ele não fez. O Thomas não o criticava, ao contrário, falava muito bem dele e dizia que ele sabe viver sua vida. Não é porque ele é o “criador” do Parkour que é obrigado a dedicar a vida a isso. Ele tem outros objetivos, quer fazer outras coisas e ninguém tem nada a ver com isso. E é nesse ponto que o olho do Thomas brilha. Ele protege e defende a iniciativa do PKGEN com unhas e dentes. Dá pra notar que não é porque ele faz parte, mas porque o cara quer viver pra servir aquela causa e manter os princípios da atividade vivos.

Deixando o senhor Couetdic de lado, vou escrever agora sobre o senhor Rognoni.

Pra começar nunca o chame de Steve Rognoni. Ele é revoltado com o nome que os pais lhe deram e por isso quando ficou mais velho escolheu o seu próprio: Kazuma (extraído de um anime). Ah... nem falei que os dois são fanáticos por animes né? Pois são. Voltando: Se o Thomas é o cara “eu-quero-fazer-bem-feito” o Kazuma é o cara “foda-se-eu-quero-é-chegar”. Fazia muito tempo que eu não via alguém se jogar de cotovelo em um muro ou chapar o pé com toda a força no chão. As precisões dele pareciam que iam tirar o planeta de órbita, porém a força da perna do cara segurava qualquer impacto. O cara quando se movia parecia uma locomotiva: “o que tiver na frente eu passo por cima... ou derrubo!”.

Os workshops que passava se focavam mais nessa questão da agressividade. Normalmente ele nos fazia cansar no inicio e então, do nada, enquanto o grupo todo (ele inclusive) se encontrava no chão fazendo flexões, olhava pra gente com aqueles olhinhos puxados e dizia: “Vamos continuar fazendo as flexões, mas estão vendo aquele muro e aquela arvore? Quando eu der o sinal a gente corre, sobe o muro, salta de lá de cima, volta correndo, faz essa rotina 5 vezes seguidas, assim que terminar sobe de novo, salta pra arvore, volta pra cá, faz outra vez...” Você tá entendendo? Essa criatura queria nos matar! Eu só via o Zico urrando que nem um animal e o Thiago Lima se esborrachando no chão de tão exausto.

Mas havia um propósito. Ele nos disse que fazer um percurso em condição física normal é muito fácil, mas que Parkour lida com a movimentação continua mesmo em cima do desgaste físico. Se você aprende a se mover quando o seu corpo pede pra parar, aí sim você está fazendo algum progresso. Eu tive diversas vezes problemas em concentrar minha respiração e o que tanto o Kazuma quanto o Thomas berravam a todo momento era: “Você ainda consegue respirar, então você não está tão cansado! Diminua o seu ritmo, mas JAMAIS pare”. Cara, quando o Kazuma via você parar... ele corria e te dava uns empurrãos ou te enchia de soco e beliscão (Lissescão como ficou conhecido)! oO

Esse espírito guerreiro de manter a movimentação, não importa o esforço empregado, foi uma das maiores lições que aprendi e que faço questão de recordar a cada novo treino que faço.

O Kazuma, apesar de ministrar alguns workshops, não faz parte do Parkour Generations. Na verdade, de grupo nenhum. O PKGEN meio que tomou as rédeas do Parkour mundial nas mãos e disse: “Nós iremos guiar vocês pelo caminho da luz”. Já o Kazuma é daqueles que defende que as próprias pessoas devem encontrar esse caminho e não uma instituição o apontar. Ele tem o sonho de construir um Parkour Park em uma fazenda e anunciar: “Tracers do mundo todo, aqui vocês podem treinar sem serem incomodados! Venham! Se hospedem! Passem o tempo que quiser! E tragam dinheiro pro churrasco!”. Eu fiquei de cara quando ele falou isso. O cara é um fofo. Pelo que descrevi é meio fácil concluir que ele não é muito fã do ADAPT né? (Enquanto o Thomas defende o programa ferrenhamente).

Ah eu vou parar de escrever por aqui... tem um bocado de outras coisas mas eu num sou fi di rapariga pra escrever tudo não. Quando a gente se vê de novo você liga um USB na minha testa.

Ah... e eles não fedem e bebem muita água!
Bjos