quinta-feira, 12 de julho de 2012

Em um mundo marcial




Como alguns devem saber tem sido bastante difícil encontrar tempo livre para me dedicar ao blog. O meu livro (esqueci de avisar aqui que tô escrevendo um, né?) somado as outras iniciativas que mantenho com o Parkour têm me feito correr que nem um maluco! Mas como o assunto desse tópico é importante, resolvi perder meu horário de almoço escrevendo sobre essa minha nova fase de aprendizado.

Nunca fiz o estilo brigão. Mesmo quando era irritado com os diferentes apelidos que minha magreza e meu óculos fundo de garrafa me presentearam. Apesar de pacato, sempre fui o guri que tava metido nas lutas de Power Rangers (e cá pra nós, eu imitava perfeitamente!). Não tinha vontade de fazer uma arte marcial, só que sabia que se um dia fosse trilhar esse caminho, seria através do Kung Fu.

E não é que ele chegou?

De início relutei um pouco por receio de não mais me acostumar a ser comandado. Não que eu seja um rebelde. Ao contrário. As quedas, as vitórias e o rigor da ginástica olímpica fizeram de mim um discípulo pra lá de dedicado; daqueles que se torna tão doente pelo treinamento que pode vir a ser confundido pelos demais com um exibicionista. Minha preocupação real era saber se a autonomia que o Parkour criou em mim deixaria alguém pôr de novo freios ao que eu posso ou não fazer. Resolvi me colocar a prova e tentar aprender socos do tigre e chutes do dragão!

Decidido pelo Kung Fu, comecei a ler tudo que encontrava sobre o assunto. Sites e horas depois, conclui que não me importava qual estilo iria seguir, mas sim quem iria me educar. Começou a peregrinação nas academias.

Fiz duas aulas testes: uma de wing-chu e outra de garra de águia. Nas duas testei meus instrutores: me apoiava nas paredes, enrolava, cruzava os braços, me distraia, conversava... nelas não recebi bronca alguma. Pra piorar a situação, um desses instrutores dava a aula de calça jeans e parecendo que tinha acabado de vir de uma feira. Foi impossível não me questionar sobre o rigor e a tradição filosófica que eu tanto havia lido a respeito. Fiquei bastante aliviado por eles não terem perguntado “E aí, gostou? Vai vir na próxima aula?”. Não gostaria de mentir.

Algumas semanas depois, resolvi me aventurar na academia onde um amigo já treinava. Logo de cara fui apresentado a um treino físico fudido e com o aviso de “se passar mal, descanse”. Resisti fácil sem pular nenhuma etapa com aquela sensação de “isso é interessante!" - mesmo que metade dos alunos não fizessem as coisas do jeito que ordenado. Quando chegou a hora de testar meu instrutor quase tomei um sopapo na venta: “Pode ir desencostando da parede! E descruze os braços!”. Pronto. Eram essas as palavras-chaves que eu esperava ouvir! Ele nem precisava ter feito todo o ritual que inicia a aula e nem se vestir como um personagem de vídeo-game...

Achei meu lugar. Estou terminando meu sexto mês de treino. Já mudei de faixa, fiz dois cursos, competi e já absorvi alguns valores que vieram somar com os que já tinha.

Obviamente não considero o Kung Fu perfeito. Existe todo um capitalismo instaurado por trás da filosofia ocidental e que provavelmente deve envergonhar os grandes mestres. Trata-se de um processo semelhante ao de depredação de valores que tem atingido o Parkour e ao qual eu tento arduamente combater.

Existe um senso de hierarquia profundo dentro da prática e que, embora eu não simpatize com ele, aprendi a respeitar. Me deixa puto o fato de eu ser um conhecedor profundo do meu corpo e, mesmo assim, ter os exercícios limitados a cor da minha faixa! É revoltante pow! Porque parar meu exercício para descansar se os graduados têm o direito de continuar? Eu não tenho o físico de um iniciante, eu treino pesado e sem pausa desde os meus 12 anos de idade! Hoje eu tenho 26! Por esse motivo, sempre que a aula começa, eu já estou suado. Corro descalço os 3 km que separam a empresa onde trabalho e a academia; e depois da aula, treino Parkour ou volto pra casa fazendo um flow grandão e feliz pela cidade.

Paciência. É isso que tenho aprendido dia a dia. Por mais que eu seja forte, eu sou um iniciante. E se é preciso segurar o meu ego interno para aprender a ser um bom praticante, é assim que terá que ser.

Outro ponto a se destacar é que eu nunca simpatizei muito com a minha famazinha entre os puladores de muro. Sempre que viajo, sempre que vou treinar, sempre que converso de forma séria, sempre e sempre esperam muito de mim. Existe um conceito que chega até as pessoas, antes mesmo delas me conhecerem. Eu entendo o motivo disso tudo, mas não acho tão legal e às vezes me causa certa vergonha. Por esse motivo estar imerso em uma atividade onde sou anônimo é incrível! Lá não sou presidente de nada, não estou à frente de nada, não tenho anos disso, anos daquilo, fiz isso, fiz aquilo... N-A-D-A!  Minha fama é nula e eu sou um noob faixa branca e desengonçado!

Isso enche meus dias de alegria e por vezes meus colegas não entendem porque treino tão empolgado.

Existem outras dezenas de reflexões que posso fazer. As quebras de defesas que tive que exercer internamente, a mudança em minha rotina e em minha postura, a analogia entre o que é o “homem forte do parkour” e o “homem forte do kung fu”... dentre tantas outras coisa.

Continuarei nesse caminho. Tenho muito a aprender dentro dele e espero galgar quantos degraus forem necessários. Ao meu tempo.

Existe na comunidade do Kung Fu uma paixão louca pela mudança de faixa. Há pessoas que morreriam para usar um uniforme de instrução (símbolo de autarquia) ou que sentem arrepios e suspiram perto de um atleta graduado. Nada disso acontece comigo. Até porque para mim existem duas condições: faixa branca e faixa preta. O restante entre elas é composto por muito suor e treino; e não um arco-íris de cores.

Para o meu objetivo especifico, esse aprendizado tem sido uma mão na roda! Infelizmente não aprendi ainda a dar um hadouken de fogo e nem a fazer um kamehameha. Ouvi um zum-zum-zum de que pra isso tenho que ter KI maior que 8000... Quem sabe daqui a alguns anos? ;)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A bíblia do 5º Encontro Nordestino de Parkour


O nordestino de 2012 resgatou muitas coisas que eu sentia falta. E entre elas minha vontade de escrever sobre encontros (acho que a última vez foi em 2009).

Em um sentido amplo, o parkour é uma estrada que irá trazer as mais diversas possibilidades para aqueles que decidir encará-lo de verdade. Durante seu aprendizado, alguns amigos de jornada estarão sempre colados em você, alguns conhecidos se farão presentes (às vezes sem estar ao seu lado) e algumas pessoas sumirão por completo ou irão se modificar ao ponto de se tornarem irreconhecíveis (e, de certa forma, descartáveis).

Testemunhei nesses últimos cinco anos algumas mudanças gritantes: na maneira como nos comportamos nos eventos e com as pessoas; na forma que esses encontros passaram a adquirir; e reparei também na mudança de “sabor” que fica em nossas mentes semanas depois de acabado.

Acho que a simplicidade (não confundir com ignorância de conhecimento) e a sinceridade, de forma pura e honesta, são os dois ingredientes que mais me encantam na vida, nas pessoas e no parkour. E felizmente nesses últimos cinco dias vocês me mostraram muito disso.

Claro que minhas reflexões podem diferir de uma maioria, mas é sábio compreender que a gente constrói muros com as pedras que nos são fornecidas. Eis alguns muros que esse encontro construiu em mim:

A Pri

“Alô, tá ocupado? Ligue pro meu Tim. Tu... Tu... Tu...!”. Se não custasse só 0,25 centavos esses retornos de ligação tinham me empobrecido! Ela me dava um toque, ás vezes três vezes por dia, e sempre tava quebrada! Valha-me, Deus, que criatura pobre! Mas eu curtia cada minuto. É sempre bom ouvir a voz dela e ouvir o que ela tem a dizer (reclamar, brigar, chorar, xingar...). E nesse encontro ela foi a base, o centro e o topo. A que correu atrás, a que arregaçou as mangas e a que largou a comodidade de ser anã pra se tornar uma gigante. Sempre brinquei de misturar o nome dela aos encontros, mas essa é a primeira vez que isso será usado como um elogio: tivemos um Encontro Priscila Magalhães Leite Nordestino de Parkour. Guria, a gente agradece por você ter deixado sua marca na história desse evento.

O Ibyanga

O tempo vai passar para todos nós, de maneiras específicas pra cada um, mas o elo que foi criado entre essas pessoas parece não sofrer reajuste. A cumplicidade, o zelo, a mão estendida (pra confortar e pra socar)... Levamos muito tempo para compreender que não éramos um grupo de parkour, mas de pessoas que se encontraram, aprenderam os limites do respeito e, sobretudo a conviver. É tão difícil na sociedade moderna encontrar relações verdadeiras e por isso tenho e terei sempre muito orgulho do que construímos. E fico mais feliz ainda em perceber que o sangue, o amor e a dedicação exclusiva pelo que se faz, conseguiu sair de nosso grupo seleto (não por regras, mas por seleção natural) e infectar e se tornar parte inseparável do que é hoje o encontro nordestino: um santuário, um retiro de convivência para pessoas que não desejariam em nenhum momento estar fazendo alguma outra coisa em qualquer outro lugar.

O Avua

Fiz questão de escrever em separado só pra poder negativar. Chegaram quebrados, tortos e fazendo tudo errado. E continuam hoje ainda quebrados, tortos e fazendo tudo errado. Mas muitas vezes o maior dos erros é acharmos que estamos sempre certos. E por esse motivo, vamos então ser felizes tortos, errados e quebrados. Sem meios termos. Sem máscaras. A simplicidade e a honestidade são como imãs; e por esse motivo a relação entre o Avuanga não se sujeita a espaço/tempo, ela sempre existiu. Vocês são sempre bem-vindos. Obviamente inferiores, mas ainda assim bem-vindos.

O Pi, o Pop e o Bata

Meus sustentáculos, pés, mãos e cabeça. Provavelmente eu seria uma pessoa diferente hoje se não fosse pela ação desses três. Ver o Bata usar infinitamente o colar dele traz em mim uma sensação foda. É como uma certificação de que todas as escolhas internas e de que todo sentimento que deixei gerar em mim foi a atitude mais correta dos meus últimos anos. Durante o encontro, quando caí da cama elástica eu fiquei com muito medo. Mas o Pi estava ali do lado, controlando minha respiração e deixando sua calma disfarçar a preocupação e chegar até mim. Foram mais de 30 minutos de incertezas e que teriam sido bem piores sem ouvir a voz dele. O Pop só queria saber da mulé, devia ter tirado pelo menos uns 10 minutos pra fingir que ainda consegue treinar comigo, mas só o fato de reencontrá-lo, ver que ele está bem e feliz é suficiente e já me fez bem. Sem mais palavras pros três.

O Léo

Boa parte do tempo que gastei nesse texto foi travado nessa parte aqui. Evito sempre falar ou escrever qualquer coisa, seja em público ou com qualquer pessoa, porque fico um pouco confuso e não me acho no direito de expor ele a ninguém. A mente dele é sua fortaleza e eu a respeito como prioridade máxima. No final das contas, Léo é um idiota arrogante, irritante e egocêntrico que por algum motivo tem mais valor pra mim do que aparenta e mais do que ainda consigo medir. Se ter o Ibyanga invadindo minha vida em 2006 foi um divisor de águas, os dias ao lado desse guri tem sido um complemento ou uma nova divisão. Meses atrás deveríamos ter feito essa viagem pra Maceió e agora eu fico muito feliz dela não ter acontecido sob aquelas circunstâncias! Esse foi o momento certo e com tudo no lugar. Coisas simples como dormir ao lado dele, ver que acordou bem e já saiu pra comer e treinar, ou então conseguir enxergar nele alguns sorrisos verdadeiros (ou olhadas diabólicas) em algumas situações do encontro, são coisas que me deixam melhor e mais feliz. Tomara que ele tenha encontrado algumas respostas para algumas perguntas. Mas independente disso, ter ele ao alcance do olho, e ele estando bem, é sempre bom. Ah guri, vá tomar no meio do olho do seu cu!

PC, Bruna e o Anderson

Os nossos gringos mais do que bem-vindos! Pra mim, de forma particular, gerou certa tensão em ter os três no evento. Porque embora amigos queridos e companheiros de inúmeros outros eventos de parkour, essa seria a primeira vez que eles fariam parte de algo que pra mim é “meu momento mágico do ano”. Antes de eu chegar em Maceió, o PC já me falou por telefone “temos que conversar quando você chegar!”. Já entrei em alerta porque ele é um dos praticantes do Brasil com maior poder de análise, crítica e “cara-de-pau” que eu já conheci. Direto e sem arrodeios! Fiquei bastante tranqüilo ao ouvir preliminares do que ele achou do encontro, ao final. A Bruna é o alto astral em pessoa e ter ela quebrando todos os gelos possíveis e impossíveis no evento foi um diferencial. Um acerto. E já o Anderson é o que eu acredito ser o exemplo perfeito de nobreza, solicitude e “amigão da vizinhança”. O meu primeiro contato com ele é uma das lembranças mais fodas que tenho no parkour (4º Encontro Brasileiro, 2008) então pra mim significou muito ter esses três prestigiando, estrelando e abrilhantando esse nordestino.

O Guga

É uma das pessoas mágicas que o Parkour me trouxe. Todos os encontros com ele (e já foram vááááááaários) me deixam com a sensação de permanência: ele está ali, com espírito igual ou renovado desde o dia que o conheci. No Parkour nossa movimentação praticamente beira a oposição. Trata-se exatamente da mesma coisa, mas com uma pegada totalmente diferente e isso me encanta porque o torna um referencial direto pro meu aprendizado. Sempre rola nesses encontros o momento em que ele desce pra treinar na estrutura e eu subo para assistir do alto. Nesse nordestino não foi diferente.

Ana e Fallux

Falo dos dois juntos porque são detentores de uma característica irritante: a de falar a verdade doa em quem doer. Os dois adquiriram na minha jornada praticamente o papel de fiscais: sei que quando um dos dois sinalizar para algo eu tenho a obrigação de parar e escutar. Então as críticas, os elogios e as opiniões deles são essenciais, super bem aceitas e creditadas com peso diferenciado na minha cabeça. Sei que sou meio cabeça dura em alguns momentos (como em não ouvir os conselhos sobre treinar machucado), mas saibam que me confrontar sem medo como vocês sempre fazem é um bem enorme a mim. E contrariando minha opinião sobre o último encontro baiano, nesse vocês treinaram PRA CARALHO! Peço desculpas por não ter aproveitado desse momento, e espero muito poder reparar isso no próximo encontro.

O Pipou e o Wesley

A compreensão que rola entre os dois é algo impressionante e admirável. Fico muito feliz em ver como vocês acharam um ao outro e conseguiram aprender a se abrir, respeitar e amar sem fronteiras. Pode ter sido impressão somente, mas parece que a relação simbiótica dos dois funciona também dentro do Parkour: o ritmo de treino do Pipou, e a potência de sua movimentação, diminuíram e a do Wesley parece ter pegado essa carona. Nada que estragasse a participação dos dois no encontro, mas eu senti falta de não encontrar aquele gás, a brutalidade e o cansaço que estava habituado. Estar com o Pipou é sempre bom e gratificante. Eu sinto que ele é um dos que conseguem me animar mesmo se eu estiver na merda mais profunda. Como é difícil, e eu espero não chegar a esse ponto, ele está ali do mesmo jeito... sempre pronto pro que der e vier. Estava com muitas saudades dele.

Os aracajuanos

Que foda ter vocês no nordestino! Essa foi a vez que mais viajei com gente da minha cidade e ter vocês ali do lado, vivenciando tudo, foi algo novo e muito bom! Isso porque um encontro bem aproveitado pode ser o gás para projetar nas estrelas a dedicação nos treinos de parkour. Vi todos aproveitando o encontro lindamente e que essa força e essa energia perdure em todas nossas saídas por aqui. Com certeza agora terei apoio para incentivar os demais a viajar, treinar de forma diferenciada e conhecer outras realidades e jeitos de se encarar o Parkour. Foi algo que desde sempre senti falta: viajar do meu estado só. Que bom que isso enfim está mudando!

Os baianos

A nova formação baiana” como eu gosto de pensar. Gosto muito de como eles encaram os treinos e atualmente me dá muito prazer treinar ao lado deles. O Bruninho e o Escora, em especial, são duas fonte inesgotáveis de informação pra mim e eu ainda não consegui determinar o potencial deles, nem consigo contabilizar o quanto eles se modificam de um encontro pra outro. Sei que eu gosto muito do que vejo atualmente na Bahia e esse encontro deixou bem claro pra mim que depois de tanto tempo uma luz enfim parece ter surgido no túnel.

Teresina e São Luis

Fiz vergonha porque foi a primeira vez dessa galera no nordestino e eu voltei pra casa sem sugar deles o máximo que podia. Mas pude acompanhar com os olhos os treinos deles e ver o nível de dedicação ao que eles se propõem a fazer. Os cuidados com cada passo dos flows do Leonan, conhecer enfim o Valtenir e ter o prazer absurdo de ouvir algumas opiniões do George (assim como atestar o seu comprometimento com seu treino) foram coisas que me marcaram e me fizeram esperar ansiosamente por outro encontro com eles (se tudo correr certo, lá em Teresina mesmo!). Fora isso o Chakal que foi o que primeiro conheci e que se revelou uma pessoa excepcional e a Bruna que se preocupou comigo o tempo inteiro e quase bate na socorrista no momento de me retirar da cama elástica! Sejam bem vindos e eu espero que a longa estrada que percorreram e todo o esforço que fizeram tenha valido a pena. Nos vemos o mais breve possível!

O evento em si

Ele agrega muito a mim. Não somente por ter sido projetado dentro dos moldes que eu acredito que um encontro de parkour deveria sempre ser: edificado em cima do interesse de treino de seus praticantes favorecendo o tanto quanto possível a vinda deles ao evento. Mas também porque meus dois últimos meses de treino têm sido absurdamente intensos, e ainda assim eu consegui puxar um pouco mais de mim nesses últimos cinco dias. Senti que ele resgatou o que de melhor criamos no primeiro nordestino; e que eu já achava que não seria possível por ser algo que depende do conjunto. O local parecia escolhido a dedo, a estrutura me rendeu momentos únicos (mesmo sendo uma estrutura montada) e eu senti a energia das pessoas no ar favorecendo o clima perfeito para que eu pudesse treinar no meu máximo.

Como falei em reunião, eu senti uma moleza incrível por parte dos alagoanos: justamente os que ajudaram a moldar e dar o clima perfeito para o primeiro nordestino. Mas isso não se tornou um problema porque sinto que a missão de incentivar, promover, proteger e auxiliar o crescimento do parkour nordeste está agora em boas mãos: nas de todos nós. A prova maior é que todos deixaram mães, famílias, festas, namoradas e tantas outras coisas para estar único e exclusivamente dedicados a aquele momento com aquelas pessoas.

È mais uma lembrança linda. Mais um passo dado. E mais um mérito conquistado. Se essas pessoas estarão aqui ao lado com o passar dos anos? Se sim, maravilhoso! Se não, elas terão a certeza de que fizeram parte de algo memorável e que fizeram diferença na trajetória de alguém.

Que os outros eventos sejam sempre tão bons como este.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Do que é feito o ser humano?


Ultimamente as pessoas a minha volta tem passado por transformações gritantes. E eu estou tendo a oportunidade de ser espectador da queda dos seus valores, do surgimento de novas emoções e da criação ou rompimento de novos e antigos laços.

Na verdade, eu mesmo devo estar mudando também, pois coisas que antes mantinha como “prioridade”, subitamente, deixaram de ser; e tenho também me sentido mais centrado, cometendo menos exageros e dando mais valor ao que merece, de fato, valor.

O que retiro de mais importante nesse processo de maturação é que estou aprendendo a ser mais paciente e a não exigir das pessoas o que elas não são capazes de fornecer. O potencial, e o intelecto de cada um, é aguçado para algumas características, mas extremamente limitado em outras. Não posso e nem vou mais estimular o que não merece ser estimulado.

Visualizando melhor, eu não devia exigir é nada de ninguém, uma vez que eu mesmo tenho tanta coisa pra consertar em mim que qualquer tentativa de melhorar o mundo seria contraditória.

Meus treinos sempre foram edificados na análise do ambiente em que me encontro e em minhas habilidades. Estou conseguindo transportar isso pro meu mundo, pros meus relacionamentos e tenho aprendido muito com os exemplos de seres humanos que tenho ao alcance da mão.

Uma fruta quando é retirada do pé pode encontrar vários destinos. Algumas vezes são processadas e se obtém um sumo: uma essência. Se conseguíssemos processar as ações e as atitudes de um ser humano, acredito que iríamos nos impressionar em detectar o quanto de padrão existe entre eles e o quão difícil é encontrar pessoas capazes da autocrítica.

A cada ano que passa vejo o Parkour me conduzir por diferentes caminhos. Trilhei (e trilho todos os dias) a estrada da minha compreensão física. Aprendi aos trancos e aos barrancos que poderia sair da inércia, vencer minha timidez (e orgulho) e me tornar um agente de melhoria social. E atualmente me sinto engatinhando pela larga avenida das interações humanas.

Tenho tentado analisar, compreender as atitudes e, especialmente, a matriz que origina as ações das pessoas ao meu redor. Isso causa certas vezes uma grande revolta porque não é muito agradável identificar pessoas perdidas (e queridas), sem identidade ou com limitações absurdas; e pior ainda é perceber que por mais que você se importe com isso, ela não faz absolutamente nada pra se ajudar. Algumas vezes ela é até consciente, mas prefere fingir, se ocultar ou se mascarar ao invés de encarar seus problemas e limitações. Para elas sempre existe um amanhã e o temor do desconforto gera a inação.

Cinco anos atrás uma pessoa muito importante pra mim me ensinou que “o excesso de conforto gera a preguiça”. Na época eu não fazia idéia do quanto hoje esse pensamento iria nortear os meus passos e seria identificado facilmente por onde ando.

Essa postagem é um misto de desabafo com aprendizado. Talvez não seja de utilidade pra ninguém (ou não será compreensível pra ninguém), mas tenho certeza que se observássemos melhor as pessoas a nossa volta, sem preconceitos, sem complicar, sem desprezar o valor dos sentimentos, mas tudo isso regrado a uma boa dose de racionalidade, seríamos capazes de evoluir muito como seres humanos e a compreender um pouco mais o mundo a nossa volta.

Só espero que enquanto caminho e aprendo eu consiga manter minha lucidez, meu julgo, minha lógica e minha coerência.

sábado, 15 de outubro de 2011

O Climb e o Planche no Universo Feminino


A natureza é sábia e possui um processo de seleção natural incrível. Anos de evolução e de adequação ao meio fizeram de nós, seres humanos, estruturas complexas e com características únicas.

O homem, em qualquer momento de nossa história, sempre foi incutido das tarefas mais árduas, da proteção do território, da caça e da competição pela sobrevivência. Já a mulher, preparada para a maternidade, a manutenção do lar, a estruturação das famílias e o sexto sentido para tudo que somos incapazes de perceber. De geração a geração, a natureza distribuiu e lapidou os papéis, os hormônios e as características de cada gênero.

Mas se existe um aprendizado no Parkour que modifica por completo as nossas vidas é a descoberta de que não é porque as coisas foram pré-determinadas para um devido fim que elas sirvam somente para isso. E eis então que as mulheres ganharam força. E aqui me refiro a um sentido específico da palavra ”força”: o abandono à metáfora do salto alto e a luta pela igualdade de representação.

Para chegar à conclusão que almejo preciso apresentar dois personagens fundamentais em nossa história: O Senhor Testosterona e a Dona Estrógeno. O primeiro é o cara responsável pela virilidade masculina, a brabeza, a força, o crescimento muscular e o grito de energia. O segundo provoca o alargamento do quadril, aumento nos seios, definição das curvas e regula a ovulação e o sistema reprodutor feminino.

Analisando de forma um tanto fria, a dicotomia dos hormônios sexuais desfavoreceu o homem quanto à variedade de funções. Pois, embora a mulher possa se vestir de persistência, garra e determinação para tornar-se forte, não existe treinamento algum que conceda ao homem a capacidade de gerar vida.

E onde entram o climb e o planche na parada?

Em meu primeiro treino, eu climbei.
Em meu primeiro treino, eu planchei.
Quantas meninas você conhece que podem dizer o mesmo?

A diferença entre os universos é determinada por nossas valências físicas: Não sou desequilibrado por seios. Não mênstruo. Não sou curvilíneo. E culote pra mim é algo que inexiste!

O climb e o planche foram as grandes modas do universo masculino de 2007/2008. Isso porque ao desembarcarem em nosso mundo automaticamente foram utilizados como ferramenta de separação entre meninos e homens. Você podia não saber correr (que seria o fundamental no Parkour), poderia não saber absorver impactos (que seria fundamental na sua vida), mas se você fosse capaz de climbar reto ou planchar... meu caro... formariam-se filas para bater foto com você e te marcar no facebook depois!

Até hoje os dois são observados em encontros e treinos como cartões de visita. Algumas pessoas insistem ainda em acreditar que os anos de treino que possuem se condensam nessas duas habilidades.

Não acho errado esse pensamento, como um todo. Afinal de contas, todo treino é válido e os dois são catalisadores de potência física brutal. Mas considero prejudicial esse culto à forma, ao definido e ao requisito técnico em detrimento da real força que a movimentação do Parkour pode proporcionar. Conheço pessoas que acham melhor atrasar o percurso para conseguir climbar reto (com direito a pausa para ajeitar o pé e o braço) do que ligar o “foda-se a estética” e seguir o caminho traçado.

Muros e barras deixam de ser obstáculos para se tornarem palco.

Quanto ao mérito do planche, acho tão igual ou pior. Acredito que a intenção dele de início era se tornar uma maneira rápida de sair de baixo da barra/marquise/oquefor e ir pro andar de cima. Acho a preocupação com esse movimento algo exagerado, pois foram mínimas as vezes que precisei dele para complementar um flow. E, como normalmente encontro jeito mais fácil e mais rápido, não é algo que mereça minha atenção em tempo integral: consigo subir, sei fazer, tá bom.

Mas aí então as meninas começaram a climbar e a planchar.

O clímax dos vídeos femininos se tornou o momento em que elas grudam nos muros ou pulam pra segurar uma barra. Algumas vezes a edição tem direito a slow-motion, repetição em multi-ângulo e, se brincar, até empurram a música das olimpíadas pra comover...

Nunca, nós homens, poderemos comparar o esforço de uma subida de muro feminina com a masculina. Não faz coerência. Elas se tornam gigantes mesmo subindo somente 2 metros. E todo mundo sabe que a disputa só é justa quando os adversários se equiparam. Porém, eu não me sinto a vontade em prostituir as explosões físicas no universo do Parkour Feminino.

Traceuses correm atrás do prejuízo todos os dias. A mãe natureza não teve pena em fuder com elas. Mas embora a superação dessa maldição seja sim um troféu, eu só concedo meu respeito por ele uma única vez. Depois disso se torna obrigação.

Eu reconheço que as meninas no Parkour têm que superar inúmeros obstáculos físicos, mentais, emocionais e biológicos. Reconheço também que sou homem e que, embora treine com meninas e acompanhe o desenvolvimento delas, jamais serei capaz de falar com propriedade sobre o assunto. Mas como espectador e praticante da mesma atividade, acho perda de tempo e desperdício de potencial quando vejo suas forças serem quase que exclusivamente focadas a somente uma parcela de todo o chão que ainda precisam correr.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Interferência do estado emocional nos treinos


Desde que compreendi o quanto poderia crescer através do Parkour, meus treinos se tornaram verdadeiros laboratórios. Sempre estou testando alguma teoria maluca inventada por mim ou então explorando conceitos que li em algum artigo ou que copiei descaradamente do treino de algum amigo.

Como tudo nessa vida, às vezes a coisa funciona pra uns e às vezes só pra outros. O que repercute na minha movimentação é como um degrau galgado. O que não, se torna aprendizado prático e teórico de onde posso tirar grandes ensinamentos (e me preparar para auxiliar melhor os futuros iniciantes que cruzarem meu caminho).

Por mais que muitas vezes eu esqueça de tomar nota e não torne público o que ando pensando ou fazendo, ser cobaia de mim mesmo já se tornou uma prática constante. E dessa vez vou relatar o que aprendi com treinos guiados essencialmente pelas emoções.

Basicamente três emoções me fazem largar tudo que eu tenha pra fazer e atender ao chamado da minha vontade. São elas: Alegria, Tristeza e Raiva!

PS: Essa série de postagens é fruto da minha vivência com os treinos diários de Parkour e de como eu reparei que eles se relacionam com o meu estado emocional. Isso não quer dizer que as coisas acontecem da mesma forma para todo mundo e muito menos que possui algum embasamento científico.

PS2: Meus últimos treinos têm sido guiados essencialmente por Tristeza e Raiva (tenho treinado todos os dias, sem pausas, desde uns 10 dias atrás). Então, propositadamente, esses serão os últimos aspectos a serem tratados para que eu consiga “me ler” com um pouco de mais clareza.

PS3: A vontade de escrever sobre isso veio de uma conversa com o Kalebe, de Florianópolis, a respeito de uma pesquisa que se encontra em processo de elaboração.

ALEGRIA

Quando recebo uma notícia muito boa; quando meu dia é uma cadeia de acontecimentos que deram certo; ou então quando simplesmente amanheci de um jeito onde arrancar o sorriso das pessoas é a prioridade. Então eu saio pra treinar em comemoração.

Apesar de parecer um convite à felicidade, aprendi a duras penas que treinar nesse estado é extremamente perigoso. A sensação de que aquilo irá durar pra sempre faz com que eu aumente consideravelmente a velocidade de minha movimentação e a irresponsabilidade dos meus movimentos. Flows que antes fazia de forma rápida, se tornam muito mais rápidos. Na verdade eu corro tanto, e fico tão elétrico, que as distâncias parecem ser mais curtas, as alturas mais baixas e surge a impressão de que qualquer coisa que eu decida fazer é possível! Consequentemente isso já me levou a lesões sérias e alguns machucados menos graves.

Em estado normal eu não costumo me machucar. Mas quem se encontra comigo nos eventos já deve ter percebido a freqüência com que eu apareço machucado neles (isso quando não assiste o machucado acontecer presencialmente). A felicidade em estar com aquelas pessoas, ou a euforia em estar num local novo, ativa esse meu lado menos cuidadoso e irresponsável. Quando estou no meu habitat natural é mais raro eu me machucar. É tanto que pessoas que treinam localmente comigo se impressionam quando, por ventura, eu recebo um tombo um pouco mais pesado.

Outra coisa que pude reparar é que treinar alegre deve fazer algo estranho com meu corpo, metabolicamente falando. Não costumo sentir fome, não sinto sede e sou capaz de treinar por várias horas seguidas, brutalmente, migrando pra lá e pra cá sem aparentar cansaço e nem cansar. Em várias situações (por exemplo: frequentemente com o Ibyanga e em todas as viradas esportivas) já passei mais de 8 horas treinando sem parar e alimentado por apenas um pão com queijo e um copo de suco ou água.

Resolvi esse problema quando decidi carregar sempre comida e bebida na mochila (às vezes ela até parece um mini-supermercado). Dessa forma, se o treino durar mais que umas 3 horas, eu me obrigo a ingerir alguma coisa (mesmo sem vontade) sem perder tempo sentando numa lanchonete ou me afastando do local do treino pra comprar.

Segue uma relação das cinco maiores lesões que já tive no Parkour e que foram causadas justamente por conta do meu estado de felicidade:

# Tendinite aguda no pulso direito
Motivo:
Usei a mão para frear o impacto de um tic-tac com cat-leap distante.
Quando: Durante minha primeira visita ao Lê Parkinho no Rio de Janeiro.
Tempo total de cura: cerca de 6 meses.

# Torção do tornozelo direito
Motivo:
Tentei dar uns 32534364 passos na parede para atravessar uma fenda.
Quando: Durante o 4º Encontro Brasileiro de Parkour em Belo Horizonte.
Tempo total de cura: cerca de 2 meses.

# Tendinite aguda no pulso direito
Motivo:
Insistência em querer usar o pulso já machucado.
Quando: Treino no pentatlo militar do 4º Encontro Brasileiro em Belo Horizonte.
Tempo total de cura: a reincidência agravou aquela primeira lesão lá em cima.

#Torção das articulações da região central do pé direito
Motivo:
Atirei meu pé com toda força numa parede para trocar a direção do flow.
Quando: Durante o 4º Encontro Nordestino de Parkour, aqui em Aracaju.
Tempo total de cura: cerca de 5 meses.

# Tendinite aguda no pulso esquerdo
Motivo:
Usei a mão para evitar que minha cara batesse numa parede após a mão escorregar num kong.
Quando: Durante os treinos com os amigos do Omnis e do Ibyanga, nas vésperas do 4º Encontro Carioca
Tempo total de cura: já se vão 2 meses e contando...

Treinar parkour causa uma sensação incrível. Fazer isso do lado dos amigos duplica essa felicidade. E se você anexa isso a sua sede de desbravar um local que tão cedo não poderá utilizar novamente, você têm uma bomba caseira de lesões pronta para explodir na sua mão... pé... joelho... tornozelo...

Sejamos felizes, mas prudentes.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Viagem de Férias (Parte 1) - Salvador

Salvador foi o ponto de partida da minha viagem e também a cidade em que passei menos tempo. Para poder baratear os custos, optei por ir de ônibus e de lá tomar o avião até São Paulo. Na verdade essa é uma dica que dou para todos: procurem sempre maneiras de sair de aeroportos internacionais, pois normalmente as tarifas são bem mais em conta. No meu caso a viagem completa (ida + volta) custaria cerca de 800 reais saindo de Aracaju. Feito com essa escala, o preço caiu para 280 + 50 reais pro trecho de ônibus entre Aracaju-Salvador. Uma economia de 420 reais (Gente, eu viajo muito mas eu sou pobre! Tenho que contar os centavos!).

Como iria fazer somente uma ponte, não tive tempo de treinar. Quer dizer, não de “treinar” no sentido pesado da palavra, mas antes de encontrar com a Ana e o Fallux eu cedi ao desejo de fazer um ou outro movimento isolado pra matar a saudade do Costa Azul (um dos melhores picos da cidade).

Depois de procurar a casa de Fallux por uns 20 minutos (com 28 kg de bagagem), resolvi pedir socorro e ligar pro pessoal. Meus anfitriões me resgataram de imediato (diferente do que eu fiz toda vez que eles precisaram de mim aqui em Aracaju HAHUHAHUAHUAUHAUHA Sorry guys! I am a fool, but I love yool!).

Esses dois são amuletos que carrego em minha jornada no Parkour. São pessoas que eu posso conversar abertamente sobre assuntos um pouco mais sérios e que sempre possuem uma opinião bastante interessante para fornecer. Obviamente, nem sempre elas casam com a minha, mas sempre que isso acontece conseguimos dialogar bastante e achar meios termos para resolver problemas e concatenar idéias. A conversa da noite se ambientou basicamente no futuro da ABPK e no meu posicionamento pessoal a respeito do Art of Motion. Mal sabia eu que esses seriam os dois assuntos mais importantes dos meus próximos dias.

Engraçado como eles não têm pudores em vir de voadora na minha cara! UHAUHAHUAHU Às vezes tenho que sentar, respirar e queimar as pestanas para que minhas idéias saiam da minha boca de forma clara porque os dois são bastante detalhistas e críticos.

Foi um pouco tempo que me preparou para todos os longos processos de reuniões (e foram vários!) que eu tive oportunidade de participar. Fui escoltado por eles até o ponto de ônibus e cheguei ao aeroporto com folga.

Deu tempo de refletir bastante sobre como a postura de pessoas formadoras de opinião podem manipular ou modificar a forma como um determinado grupo se manifesta. Discutir sobre isso me serviu de alerta (e como um puxão de orelha) para que eu aprenda a sempre deixar meu ponto de vista bastante evidente. Nunca se sabe quando e de que forma um pensamento deixará de ser somente seu e passará a fazer efeito sob outra pessoa. Então contra o imprevisto, a precaução.

Me despedi da Ana sabendo que em duas semanas nos encontraríamos na reunião da ABPK, em São Paulo, e que em setembro veria os baianos novamente no EBAPK (Encontro Baiano de Parkour).


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Vivendo de Aprendizados




Os meus últimos meses foram regados a muito aprendizado e em todos os aspectos possíveis da minha vida. Numa das experiências mais importantes do período, consegui sincronizar minhas férias da faculdade com as do trabalho e isso me rendeu um mês inteiro para viajar e dedicar ao meu fortalecimento físico, moral e mental.

Sem perder tempo decidi que iria passar essas férias inteiras viajando (a primeira, de fato, desde que comecei a trabalhar aos 19). Minha peregrinação me levou as cidades de Salvador, São Paulo, Campinas, Guarulhos e Rio de Janeiro, durou 27 dias e me custou de 1000 a 1500, já contabilizando as passagens de ônibus e avião.

São Paulo foi basicamente o meu quartel general, então sempre que voltava de uma outra cidade eu passava alguns dias por lá.

Para fins de recordação, e até para me readaptar a escrever frequentemente no blog, vou tentar escrever pequenos textos sobre minhas percepções e o que aprendi durante cada cidade que visitei. Foram momentos ímpares na minha vida e que com certeza agregaram muito conhecimento em minha caminhada. Tenho muita coisa aqui pra comentar sobre as conversas com Fallux e Ana; o primeiro final de semana em São Paulo que mais parecia um encontro nacional; o churrasco na casa do Guga (Arua); a experiência de ser aluno de Parkour do Zico, Alberto Brandão e dos curitibanos do GAP; como foi dar aulas na Academia Tracer; o final de semana dedicado a primeira reunião presencial com praticamente toda a nova diretoria da ABPK, o período visitando meu irmão, cunhada, sobrinho e tios; uma semana de convívio com o incrível Raxaman; as impressões que ficaram do encontro carioca; a visita não programada para Campinas e Guarulhos; a semana do Art of Motion e, por último, minha volta pra casa e a retomada do cotidiano.

Agradeço muito a todas as pessoas que encontrei nesse período e que colaboraram com esse meu crescimento. Espero que a reciprocidade tenha acontecido e que elas tenham conseguido extrair também algo de bom de mim.

"Aprender! Aprender! Aprender! Aprender!" (Golden Boy)

Hora de passar sebo nesses dedos magros!

Até breve.