sexta-feira, 26 de julho de 2013

Eu aprendi o Kaioken!



Desde uns meses para cá, aprendi a dedicar um pouco do meu tempo a arte da meditação. Sempre fui bastante curioso quanto a isso e quais os benefícios reais que ela poderia me trazer.

No início, somente ficava em silêncio (ou ao menos eu tentava, né?). O problema é que minha mente faz tanto barulho quanto uma escola de samba! O método que desenvolvi para me silenciar foi desviar toda a minha atenção para algo único que eu queria ter entendimento e compreender: a origem de um som, a direção do vento, o contato físico que o meu corpo fazia com as superfícies a minha volta e assim por diante. Com o tempo aprendi que eu era capaz de fazer isso mesmo de olho aberto: direcionar minha atenção para o que eu queria, de fato, enxergar.

Nada de pensar no vazio... Nada de imaginar campos... E nem de visualizar cores... Isso não funciona comigo. Os processos de anulação, a meu ver, só funcionam quando você já é bastante experiente em detectar todos os barulhos mentais que seu cérebro gera. Tendo conhecimento deles, de onde eles vem e o efeito que causam, aí sim eu vi que eu seria capaz de aprender a ignorá-los. A atenção exige bastante energia, a desatenção exige liberação. Os dois processos são bastante complicados de se assimilar e eu me demorei bastante neles.

O ponto que quero chegar é que, enfim, eu descobri e desenvolvi uma maneira muito prática de se utilizar o que aprendi com a meditação. Talvez isso tudo pareça loucura a primeira vista. Confesso que para mim esta sendo bem confuso também transmitir as sensações em palavras, mas vou tentar fazer o meu melhor aí embaixo.

Aos poucos, e bem lentamente, eu percebi que meu estado físico e minha sensação de humor e mental eram gerados pelo cérebro e “o barulho” da minha mente. Em exemplo para que fique mais claro: quando você presencia uma injustiça, a raiva que é gerada dentro de você é unicamente gerada por você. Não foi diretamente a injustiça que provocou sua sensação. Foi você. Você continua sendo o mesmo de minutos anteriores, o que muda é a forma como interpreta e encara a informação que recebeu. Dessa forma, esta, unicamente, dentro de você, a chave para se manter centrado, calmo e neutro. Não é errado deixar sua mente multiplicar e fazer surgir suas sensações, mas é previdente e interessante saber que você pode desenvolver certo controle sobre isso.

Não pense que foi fácil, chegar a essas conclusões. Muito pelo contrário. Tive que bater minha cabeça na parede muitas vezes e fiquei furioso e puto em um monte de outras. Mas ao final eu sinto que fui bem recompensado.

Você já se viu em uma situação em que, enquanto estava dormindo, um barulho muito grande te acordou? Se sua sensação for a mesma que a minha, quando isso aconteceu seu corpo saiu do estado de dormência para o ápice de sua atenção. Dá pra sentir, de imediato, o gosto do ar e a textura do chão. Pois agradeça aos seus hormônios. A adrenalina e a serotonina são os principais responsáveis por você adquirir essa rápida resposta de seus sentidos e a rápida avaliação da situação em que se encontra. Tudo em questão de centésimos de segundo.

Se chegou até aqui você deve estar curioso e se perguntando aonde esta a prometida aplicação prática da meditação que eu afirmei ter encontrado... Acalme-se, gafanhoto, e respire fundo. É que eu precisava ter certeza de que tem os dados certos para que eu não seja chamado de louco nos próximos parágrafos (embora não faça nenhuma diferença em mim se isso acontecer).

Eu queria ter algum método de comprovar cientificamente ou biologicamente, mas eu acho que eu aprendi a disparar conscientemente a adrenalina e a serotonina no meu corpo. O fato é que, sempre antes de fazer uma movimentação em que eu esteja um pouco inseguro ou então que tenha um grau de dificuldade elevado, eu aperto um gatilho com minha mente. De imediato meu corpo é invadido por uma onda que amplia meus sentidos, potencializa minha força, canaliza minha atenção e me fornece tudo aquilo que preciso para concluir minha tarefa com êxito. Isso ficou bastante claro e mais evidente nos meus treinos de precisão e cat-leaps. Antes de fazer um que seja arriscado e que me coloque em perigo caso eu falhe, meu corpo sempre oscila bastante e eu me movo muito no mesmo lugar. Quando disparo esse gatilho, automaticamente tudo se clareia e surge uma decisão pronta. Meu cérebro dá um solavanco, minha pupila eu tenho certeza que dilata e a quantidade de oxigênio no meu sangue e músculos aumenta. Eu sinto isso! Ou então eu criei o mais eficiente dos efeitos placebos.

Eu já testei esse sistema de gatilho em outras situações como, por exemplo, cochilo durante um filme. Eu quero assistir o filme, mas estou caindo de sono. Basta disparar meu kaioken e eu estou acordado como se o sono não tivesse existido. É como uma lufada de vento que mandou uma nuvem escura bem pra longe. O mesmo acontece com minha disposição ao levantar da cama. Basta um comando do meu pensamento e voilá! O arrepio e a descarga elétrica percorre o meu corpo inteiro e me deixa “ligado e ativo".

Outro fato interessante é que eu percebi duas coisas:

1 – O efeito é passageiro. Ou seja, ele somente me concede uma janela de alguns segundos sob essa droga. Se eu for fazer dois cat-leaps seguidos e que estejam no limiar de minha explosão, o segundo não terá o “bônus” do meu kaioken.

2 – Existe um intervalo de tempo para eu soltar outro kaioken. E isso é uma coisa que me dá muita raiva porque a sensação é muito boa aí eu tento de novo e fico no vácuo... Quase dá pra ouvir uma risada maligna do meu cérebro dizendo: “Se fudeu otário, tem que encher a barrinha completa se quiser outro”.

Eu tô rindo nesse momento e sem acreditar que eu consegui escrever sobre isso. É quase 5 da manhã e eu estava justamente meditando nesta madrugada quando me veio a ideia de escrever esse processo todo. Eu já estava na cama e tive que disparar meu kaioken para me levantar dela e vir ao computador. Espero que tenha valido a pena.

Eu sou um noviço na arte da meditação, mas se tenho um conselho que posso dar é: reserve sempre um tempo para você e sua mente. Quem sabe você não aprende algo tão legal como aconteceu comigo?

*Kaioken é o nome de uma técnica desenvolvida pelo personagem Goku, da série Dragon Ball, onde ele é capaz de com uma explosão ao seu comando multiplicar o seu nível de luta durante certo período de tempo.

domingo, 21 de julho de 2013

Prudência, minha gente, PRUDÊNCIA!





Vou vender um conselho pra quem treina Parkour: Enquanto estiver treinando, além de sua movimentação procure desenvolver a sua visão (e astúcia) ao máximo para perceber se os obstáculos são frágeis ou não. Só com os olhos.

Tracer, com o tempo, passa a entender de construção quase igual a um mestre de obra: sabe o que é uma viga, uma coluna, o tipo de bloco que sai na mão, aquele que é mais firme... Mas se mesmo assim, só com os olhos, ele não for capaz de chegar a uma conclusão, a saída é uma das duas: Checar fisicamente ou desistir do movimento.
Dois fatos que aconteceram por aqui chamaram minha atenção e me fizeram escrever esse texto. Porém, nesses anos eles já aconteceram outras vezes e tenho certeza de que você que está lendo irá se identificar.

# Acontecimento 01: Um colega de treino, que é pesado e costuma chegar como um meteoro de pégasoo em suas precisões, foi checar COM UM CHUTE se o local de aterrissagem era seguro e acabou quebrando o único local que tínhamos para colocar o pé.

# Acontecimento 02. Um outro parceiro foi testar se o muro estava inteiro, colocou a mão no topo dele, puxou e a pedra de mármore caiu direto em sua cabeça. 6 pontinhos pra aprender a ser ligeiro.

Nos dois casos, provavelmente, eles não conseguiram chegar a conclusão da integridade do obstáculo apenas com os olhos. Eu quero acreditar que foi isso. Mas praticante de Parkour tem sempre a IDEIA IMBECIL de verificar se algo está seguro com voadoras, socos, chutes e pontapés. Minha gente, isso não é checagem; é destruição.

No primeiro caso lá em cima, eu fiquei bastante puto porque a aterrissagem foi destruída porque ele É GORDO E PESADO. Eu que sou magrinho e controlo meus movimentos conseguia fazer a precisão tranquilamente. Ele não fez um favor a todos. Eles fodeu com um local de treino.

No segundo caso, é prudente sim você checar a consistência com a mão. MAS TIRE A CARA, A CABEÇA, O ROSTO E O RESTO DO CORPO DA FRENTE. Se você está querendo ver se o obstáculo quebra, puxando em sua direção, VOCÊ TEM QUE ENTENDER QUE SE ELE QUEBRAR ELE VAI DIRETO NA SUA VENTA, DEMÔNIO!

Do que adianta você treinar com prudência para não se machucar durante os movimentos e cometer uma asnice como essa? Aprenda que a força só deve ser usada quando você tiver um propósito justo e for fazer bom uso dela. Do contrário, não vandalize e não se vandalize.

Você me deve um real.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

A Aventura do Parkour (Por Dan Edwards)



Eu não podia passar por cima desse texto sem deixá-lo disponível para quem não sabe inglês. Tentei usar meu coração na tradução de cada frase para que o resultado final fosse o mais fiel ao sentimento que o Dan deve ter experimentado ao escrever.

O que é Parkour? Com vocês, a melhor resposta que já ouvi.


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A Aventura do Parkour         
(The Adventure of Parkour)

Autor: Dan Edwards
Tradução: Eduardo Rocha (Duddu)

O que é Parkour? Para mim é simples. É a arte de um guerreiro. Que requer tudo o que você tem e sem desculpas. Que espera o seu melhor e não aceita menos que isso. É uma jornada pessoal em busca do auto-aperfeiçoamento, da sincera auto-expressão e realização. É uma arte que nasceu da experiência visceral de viver no mundo real. Não um show.

Ele pode ser difícil; implacável na constante avaliação de si mesmo, de suas habilidades, de sua força e de suas fraquezas mentais e físicas. É um desafio aceito cada vez que você sai para treinar. Ele pode ser brutal. Não científico; politicamente incorreto; uma avaliação constante de quem você é através do desafio e das adversidades.

Tenha sucesso nessa prova e será recompensado com um profundo conhecimento de quem você realmente é. Ele irá te revelar fatos sobre você que até então eram desconhecidos.

Ele irá te fazer perguntas difíceis; irá revelar os seus pontos fracos; irá te indicar as partes que estão quebradas. E então será exigido que você as conserte e que construa sua força justamente em cima desses pontos. Não importa suas desculpas, seu senso de mediocridade ou falhas. Ele sabe que você é muito mais forte do que acredita.

Mas ele também pode ser divertido. Libertador como nada mais será. Imponente. Genuíno. Ele tem o poder de te reconectar com aquela parte adormecida de você mesmo, aquela que descansa obscurecida pelo medo, pela inércia, pela submissão e conformidade. É algo puro. Para compreender quem você é no Parkour, você deve encontrar a harmonia entre corpo e mente, o equilíbrio entre ter o controle e se render.

É desafio. É descoberta. É experimentação. É expressão. É inovação. É adaptação. É a grande aventura. É tudo e não é nada.

É a vida, te dando um empurrão. E você tem que empurrá-la de volta.

Texto Original:
http://www.parkourgenerations.com/node/9184

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Treino Não Convencional - Lavar Pratos





Desde que a senhora que trabalhava aqui em casa se demitiu (acho que porque é muito difícil me suportar), eu e minhas irmãs ajudamos no trabalho doméstico. Minha tarefa mais comum é lavar os pratos da manhã e os da tarde. Como eu odeio re-trabalho, minha mãe deixa eu juntar os pratos dos dois períodos e lavar tudo de uma vez.

Para que o processo todo não se tornasse uma obrigação chata, eu desenvolvi um treino para fazer em cima dele. E é divertido e tem dado resultados! huUHAUHUHAUHAUH

O primeiro passo é olhar a pilha de pratos que você tem que lavar.
Em seguida, tente adivinhar o tempo mínimo que você gastaria para dar conta de tudo.

20 minutos?
Ok. Então em seguida monte uma playlist com músicas que totalizem esses 20 minutos.

Lave os pratos desenvolvendo meios de economizar o tempo e acabar o processo todo em cima, ou antes, dos 20 minutos. Seria idiotice dar-se mais tempo que o necessário ou então lavar tudo feito a sua cara! Minha mãe, se não estiver satisfeita com minha lavagem, devolve os pratos pra pia e eu tenho que lavar tudo de novo! Então não tente se auto-sabotar, mas opte sempre pelo mínimo de músicas e, conseqüentemente, o mínimo de tempo.

O que você ganha com isso?
Além da sua mãe ficar com a sensação de que você é um filho exemplar?
E de você ter executado uma tarefa chata com diversão?
(E do monte de traceuse que agora vai querer casar comigo?)

Eu tive que desenvolver métodos de economia de tempo e otimização da tarefa.

Por exemplo:

Você lava os copos, os talheres ou os pratos primeiro? Qual desses precisa de mais água para amolecer a sujeira impregnada? Os que você julgar que precisam de mais água deveriam ser deixados no fundo da pia para receber a água dos demais utensílios que forem lavados antes e agilizar o processo de esfrega...

Quanto de espaço você tem? Então o que seria melhor lavar primeiro, tendo em vista que isso tudo irá ocupar espaço e te impedir de se mover com fluidez? Eu lavo primeiro as coisas grandes porque elas se tornam recipientes para as coisas pequenas e elas me deixam ver o restante de coisas que estavam escondidas por baixo.

Com o tempo você vai se tornando meio ninja e resolvendo quebra-cabeças como esses com a maior naturalidade.

Acredito que, em termos de eficiência, resolver esses enigmas ative o mesmo processo dedutivo que me faz escolher entre saltar um corrimão ou passar por baixo dele. Que técnica você escolhe para descer de um muro quando não sabe o que te espera do outro lado? O caminho é por aí...

Opte sempre pela segurança (lavar os pratos direito) e pela eficiência (antes da música acabar). E tente sempre achar um jeito de fazer melhor, mesmo que a forma como você já execute seja legal!

Essa pilha de pratos da foto... eu acabei de lavar! Ela tava enorme porque hoje o povo daqui da casa comeu que nem um bando de animais! Infelizmente hoje eu perdi porque calculei que gastaria 16 minutos e levei 17:35. Droga! Amanhã eu dou o troco e faço tudo melhor!

sábado, 1 de junho de 2013

Ô, Anda, Júlia! (Rotina de Treino)



Esse treino foi criado pra uma amiga minha, traceuse de lá de São Luiz, no Maranhão. Ela estava meio parada nos treinos por causa de uma lesão, e quando tentou retornar com tudo viu que o corpo dela tava um lixo. Aí a bichinha, sagaz, veio me pedir uma rotina de treino que ajudasse ela a se fortalecer novamente. Nas palavras dela:

"Eu queria um treino pra perder calorias, ganhar velocidade, resistência, força e que seja um treino efetivo pro Parkour, algo que nos deixe (eu e a minha mãe) quebrada no dia seguinte."

Pois bem minha querida, te apresento o "Ô, Anda, Júlia!"

Espero que ele faça jus ao que você precisa aí nesse sol que é escaldante até pra mim que sou nordeste. Bjãozão pra você e pra sua mãe!

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Ô, Anda, Júlia!

Rotina simples de resistência, fortalecimento e equilíbrio
idealizada para Júlia realizar com sua mãe.


  • ·         Alongamento livre: cerca de 10 min

Mãos, cotovelos, braços e ombros.
Cintura.
Tornozelos, joelhos e pé.

  • ·         Corrida: 10 min

Use um cronômetro pra marcar o tempo porque normalmente nosso corpo tenta nos enganar. Tente correr todo o tempo controlando sua respiração para que não sinta “dor de facão” e de preferência sem tocar o calcanhar no chão. Depois de 5 minutos de corrida, procure por alguma marca (uma lixeira, um poste, um banco...) e faça um pique até ele (de preferência que essa explosão dure de 7 a 10 segundos). Quando atingir o objetivo, volte pro ritmo normal (sem parar de correr por nada nessa vida). Espere sua freqüência cardíaca e respiração normalizar e continue o restante da corrida. Quando o cronômetro marcar os 10 minutos, realize um último pique como o primeiro e ao final reduza a marcha gradativamente até parar de vez.

Finalizou, recupere o fôlego por no máximo 3 minutos.

  • ·         Sequência “Na lua, no peito e no chão”. (Quadrupedia com saltos)
 
Esse exercício será dividido em três blocos e é importante que você o realize nessa ordem.

Bloco 1: Realize 20 passos de quadrupedal de costas. Finalizados, imediatamente salte para cima com braços e pernas esticados tentando topar a sua mão na lua. Aterrisse lembrando-se sempre de chegar ao solo com as pontas dos pés e jamais o calcanhar.

Bloco 2: Comece a andar no quadrupedal para frente e contabilize 20 passos. Ao finalizar, realize agora o salto mais alto que puder tentando trazer o seu joelho para o peito. Retorne ao chão na ponta dos pés. E toque as mãos no chão. E fique agachada.

Bloco 3: Jogue as duas pernas para trás para deixar seu corpo totalmente esticado na posição de flexão. Em seguida, aproveitando a explosão, traga as duas pernas de volta para o meio dos braços e realize o salto esticado para tocar na lua. Realize o exercício 5 vezes com o salto esticado e 5 vezes com o salto trazendo o joelho pro peito.

Descanse por no máximo 2 minutos e faça tudo novamente.

Concluído esses 3 blocos, duas vezes, você terá feito:

40 passos no quadrupedal de costas
40 passos no quadrupedal de frente
20 transições completas do agachamento para a flexão
12 saltos esticados “tocando na lua”
12 saltos grupados “joelho no peito”

Descanse seus merecidos 2 minutos antes do próximo exercício. (Tente relaxar o máximo os braços e as pernas nesses dois minutos, balançando-os).

OBS: No quadrupedal tente sempre sincronizar o movimento do braço com o da perna. Quando a perna que vai à frente é a esquerda, o braço que segue o movimento é o direito. Você tem que se enxergar como se fosse um gato se movendo em silêncio para roubar comida da cozinha. Tome cuidado também com a posição do quadril e da lombar para não causar dores por execução errada do movimento.

  • ·         Equilíbrio no meio fio

Ache um local para se equilibrar. Pode ser um meio-fio, uma barra, um tronco de árvore, qualquer coisa que você precise de um mínimo de esforço para se manter em pé. De preferência, um lugar onde você (ou quem estiver treinando com você) não precise se segurar em nada.

Quando estiver em equilíbrio, realize as 5 sequências uma após a outra:

Sequência 1: Ande 10 passos e levante a perna direita, esticada, o mais alto que conseguir.

Sequência 2: Ande mais 10 passos e faça o mesmo com a esquerda.

Sequência 3: Mais 10 passos, toque as duas mãos no chão e volte a ficar de pé.

Sequência 4: 10 passos e mude a direção do caminhar (faça com calma, sem pressa).

Sequência Desafio: Agache em equilíbrio e tente fazer 10 passos em quadrupedal.

Descanse por uns 2 minutos e repita a sequência completa.

O que muda na segunda tentativa é que cada exercício (elevações de perna, agachamento e mudança de direção) deve ser executada a cada 2 passos em equilíbrio. A sequência desafio continua a mesma.

Finalizou as duas sequências, descanse por 2 minutos.

  • ·         Box Jumps com Flexões

Ache um banco com altura na sua cintura (ou altura confortável). Realize 10 precisões para cima dele, começando em repouso com os pés juntos. Realize-as com calma, porém sem pausa. E não se esqueça da ponta de pé.

Acabou a série, caia no chão para fazer 10 flexões o mais rápido que puder. Caso não consiga realizar o movimento com somente as mãos e os pés no chão, faça o máximo de repetição que puder e segure 20 segundos na posição.

Realize 5 séries completas de 10 precisões com 10 flexões. Descansando o necessário para começar uma nova sequência, porém tentando se recuperar o mais rápido que puder.

Ao final, descanse seguindo diretamente para o alongamento final.

  •  ·         Alongamento livre: sem definição de tempo

Estiramento dos músculos principais. Somente para que eles voltem para os lugares corretos. Segure cada músculo que foi alongado no inicio do treino. Sem forçá-lo. Tente relaxar o máximo possível lembrando sempre de controlar a sua respiração.
  • Recomendações:

Tente realizar tudo em no máximo 1 hora.
Não beba água durante o treino.
Não pare para conversar.
Se quiser, elabore uma playlist e deixe rolando no mp4. Ajuda a relaxar.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Desafio: 1 hora na posição de flexão


Historinha do desafio:

Eu estava acordando e o Pop e o Bruninho chegaram todos suados em casa dizendo que tinham um desafio para mim (e que eles supostamente tinham acabado de fazer):

- 5 minutos girando os braços esticados horizontalmente e sem parar.
- 10 minutos seguidos de cadeirinha.
- 10 minutos sem pausas na posição de flexão.

Fomos para a garagem e comecei a fazer com eles dois muito excitados ao meu lado e rindo pra caramba. Desconfiei que ali tinha alguma pegadinha, mas continuei. Girar o braço cansou muito meu ombro e a cadeirinha foi tranquila (certa vez eu fiz 45 minutos lá em Aracaju durante um desafio, então medidas menores do que meia-hora na cadeirinha não me assustam mais). Quando atingi os primeiros 5 min na flexão eles dois se juntaram ao chão e disseram que haviam mentido: só tinham aguentado 5 min e queriam ver se eu ia topar o desafio de fazer os 10 diretos. Ficamos os 3 ali até os 10.


Quando o 10 chegou, o Pop se lavantou e o Bruninho disse que ia ficar um pouco mais. Eles comentaram que viram esse desafio no blog do Blane: em uma de suas maluquices, o fdp chegou a ficar 45 minutos naquela posição. Debatemos o quanto isso foi cavalice e doentio e, em homenagem a ele, eu disse ficaria até os 20 minutos.

Quando o cronômetro marcou 00:30 eu disse: “olha, eu acho que consigo muito mais só que vocês tem que ficar conversando aqui comigo porque isso é muito entediante”. Eles puxaram conversa sobre vários assuntos (alguns idiotas por sinal) e o tempo foi passando. Meu ombro queimava, o abdômen começou a incomodar bastante e o quadríceps estava doendo e tremendo desde a cadeirinha (e havíamos treinado de tarde). Para aliviar, em alguns momentos, eu ficava só com uma das mãos no chão ou somente um dos pés.

Desenvolvi algumas técnicas para aguentar o cansaço como por exemplo jogar o peso do corpo mais para a ponta dos dedos e ora para a palma. O mesmo fazia com os pés: ora jogava o peso para a panturrilha (ficando na ponta do pé) e outra ficava na posição normal. Algumas vezes eu levantei o quadril, mas foram breves momentos.

O que mais incomodou no final das contas foi à palma da mão: os ossos começam a doer muito por causa do peso e eu tive que fazer punho cerrado em alguns momentos para aliviar o incômodo e suportar.


Uma mulher entrou na garagem e ficou olhando pra gente com cara de "não entendi". A poça de suor embaixo de mim ia crescendo consideravelmente e passou a ser legal esperar as gotas pingarem no chão. Mais uma distração.

O Pop e o Bruninho foram lá falar com Annty (amiga francesa e que estava no desafio quando o Blane o fez) e ela disse que o Blane só parou em 45 minutos porque as pessoas ao lado dele pediram para parar. O cara é realmente um monstro. Decidi que ia então continuar até completar a hora. Minha paciência já estava acabando.

Quando o relógio bateu 01:00:12 eu mal pude acreditar na idiotice. O que era pra ser somente 10 minutos, em um teste de resistência, havia se tornado 6 vezes maior. Coisa de quem não tem o que fazer mesmo.


Meu trapézio ainda tá doendo mesmo agora depois de ter dormido. Mas é a vida. Ele vai se curar em breve e eu poderei fazer uma nova doidice mais tarde.

Agora tô saindo pra acampar com os meninos. Morram todos.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A Política dentro do Parkour




Antes de começar a ler eu gostaria que você entendesse que o termo política ao qual me refiro é o conhecido como “a ciência da organização”; o modo como as coisas se estruturam e se estabelecem. Não estou falando somente de cargos públicos como os que existem nas Associações de Parkour de todo o Brasil e nem somente dos líderes que encabeçam qualquer grupo ou evento. Estou levando em consideração todos os processos que se estabelecem dentro de nossa atividade.

Como já estive a frente de uma pancada de projetos e atualmente presido duas associações (a brasileira e a sergipana) tenho algumas observações a fazer e, por esse motivo, todas as críticas que aqui serão feitas cabem também a mim mesmo.

O praticante de Parkour é a célula mais comum de todo esse processo organizacional. Ele deveria ser a pessoa que detêm o maior poder dentro do Parkour e, no entanto, não é o que se vê por aí. De uma maneira geral, e falando sem papas nas línguas, na maioria das vezes eu considero o praticante de Parkour um imbecil. Imbecil por não saber do poder que ele possui e por não tentar aprender a utilizá-lo. A prática que ele carrega no peito e nas camisas é o símbolo de uma transformação intelectual e social do ser humano. É uma revolução de dentro para fora e que culmina em um grito de autonomia. Ao menos deveria ser isso.

O que vejo constantemente, e a cada dia mais essa vertente cresce, é que os praticantes normalmente gostam de fingir que são livres. Pulam nas praças para exercer essa liberdade e esquecem que continuam prisioneiros de uma mente medíocre. Uma mente que aceita o que lhe é imposto de boca fechada. Uma mente que não é capaz de lutar pelo que acredita. Uma mente que todos os dias baixa os olhos para o que se vê de errado e se borram de medo de questionar ou contrariar as “mentes superiores”.

No Parkour, e fortemente no Brasil, vivemos em uma política onde os que brilham ao sol detêm o poder da palavra e controlam os passos de seus seguidores. Se o ícone do momento determinar que a nova tendência é usar sapato alto para se equilibrar em uma barra, você assistirá vários tombos de pessoas que preferem estar dentro da moda do que procurar entender se essa ordem tem algum fundamento.

Mas esses praticantes não são burros somente por isso. Eles são burros também porque antes de serem praticantes ruins eles são seres humanos socialmente ruins. Estão acostumados a serem ordenados por seus pais, seus professores, as autoridades, as leis, o governo e não conseguem se desprender da inércia e se tornarem capazes de entender o seu papel dentro deste círculo.

O Parkour para muitos não gera liberdade mental. Não se questiona o que faz; o porquê se faz; quem se é; e o que se quer.  A grande maioria prefere ser folhas ao vento. Prontas a manipulação daqueles que tiverem a coragem para levantar a voz (participar do próximo campeonato na gringa, assumir uma presidência, declarar-se líder de um grupo, abrir um site, dizer que inventou um movimento, se aventurar em programa de auditório, aceitar o papel em um comercial ou novela... etc.).

Esse nicho não é podre em sua totalidade. Existem (eu os conheço e você os conhece também) aqueles praticantes que encontraram uma nova vida dentro do Parkour. E quando isso acontece gera-se uma energia tão monstruosa que as pessoas comuns (e os praticantes medíocres a que me referi lá em cima) tornam-se pequenas a ponto de quase sumirem no chão. Esses caras gigantes, que sim, são os estandartes de ouro de nossa atividade. Eles carregam os valores e os ensinamentos de uma vida de dedicação em cada treino que comparecem. Em cada ida a padaria. Em cada atitude e ação que proferem.

Eu diria que eles são pessoas abençoadas. Porque viver sob a proteção dessa força só pode ser classificado como uma benção. Esses praticantes tornam-se líderes sem levantar a voz. Adquirem uma reputação praticamente inquestionável. E, a não ser por aqueles que não possuem sua bravura de espírito, todos parecem por ele simpatizar e admirar. Às vezes você nunca os viu pessoalmente. Às vezes nunca falou com ele diretamente. E talvez ele nunca saiba o quanto você é grato por ele ser quem ele é.

Eu sempre questionei um pouco a postura de alguns desses ícones. Apesar de eles serem meus ícones também; as pessoas que eu carrego como exemplos e o ombro amigo que me serve de âncora para o que eu quero me tornar; algo para mim não parece estar correto quando eles tomam certas atitudes excludentes.

Alguns deles, aos meus olhos, são pilares de várias gerações de praticantes, e, no entanto, algumas vezes eles fazem questão de não fazer parte de qualquer processo organizacional. Eles se acomodam em suas vidas e sofrem calados ao observar que a atividade que amam esta sendo corroída e destruída por pessoas que não a compreenderam e não sabem muitas vezes o mal que fazem. Hoje entendo que isso não é uma covardia, mas a opção de quem optou em educar através do exemplo. Apesar de todos os pesares, ele sempre estará ali, como uma rocha, esperando qualquer praticante ou interessado que opte, como ele optou, a trilhar o caminho das pedras.

Eu questiono essa postura somente porque eu não me vejo com tal nobreza de espírito. Considero que é fácil demais fazer a minha parte sem olhar pro lado, focar nos meus treinos e deixar o mundo fazer o que quiser com o que eu aprendi a amar. Eu aprendi sozinho que o que me foi dado de bom grado deve estar acessível a todos os que queiram seguir os mesmos passos que eu trilho dia a dia. Quando esses gigantes do Parkour deixam de manifestar sua opinião, deixam de militar mais diretamente pelo que acreditam e se fecham em seu universo particular, eles perdem boa parte do brilho que deveriam ter pra mim. Porque eles optaram por abandonar a atividade que os abraçou nas mãos de quem não a merece; sendo que ela é ainda um bebê, tão jovem, imatura e nem caminha com as próprias pernas ainda. Ela precisa de toda ajuda e carinho deles e eles parecem, muitas vezes, não compreender isso.

Mas o Parkour conta ainda com pessoas que enfrentam batalhas diárias em favor dele. São aqueles que citei no primeiro parágrafo: os que se dedicam a ensinar, a organizar, a estruturar, a cobrar dos setores públicos um reconhecimento.  Eles são instrutores, líderes, presidentes, simpatizantes de causa e pessoas com energia para colocar em ação.

Quando essa pessoa, coincidentemente, é um praticante, a coisa é linda. Temos boa vontade aliada ao conhecimento de prática. É a fórmula certa para que se construa algo sólido e único. Infelizmente esse ser mágico só se manifesta em um, a cada mil praticantes. Cá pra nós, o praticante de Parkour comum só gosta de trabalhar se for em prol do seu próprio treino. E nem isso muitas vezes anda acontecendo.
O senso de coletividade real e o interesse que a prática cresça e esteja disponível para todos não é o consenso da maioria. Essa ausência dos “praticantes apaixonados pelo Parkour no poder” deixa aberto o espaço para todas as pessoas que tem disposição e vontade de trabalhar e que não necessariamente estão nas ruas.

Entramos em uma sinuca de dois bicos e colocamos nossa atividade em uma espada que corta dos dois lados. As decisões que forem tomadas por esse tipo de organizador, nem sempre irão refletir os interesses dos praticantes. Existem alguns exemplos que posso utilizar para esclarecer melhor:

Um instrutor de Parkour pode ter sempre o melhor estudo, o melhor preparo teórico e a melhor didática de instrução. Porém, se ele não foi um praticante, se ele não viveu o que um praticante vive e se ele não sofreu e se alegrou com o que os praticantes sofrem e se alegram todos os dias, como ele será capaz de transmitir adiante esse conhecimento? Sei que em várias áreas isso é possível. Técnicos de futebol que nunca pisaram em campo. Técnicos de ginástica que não sabem dar um mortal. Porém, o Parkour não se trata de um esporte defendido em cima de um conjunto de regras claras. Muitas vezes nem o próprio praticante tem autonomia de interferir na movimentação alheia, simplesmente pelo fato de se tratar de corpos diferentes com mobilidade motora diferente e adaptação aos obstáculos de forma diferente. Como você irá compreender que o calo aberto na mão de seu aluno dói, mas que aquela dor é uma dor que se ele compreender o significado ele é capaz de abstraí-la e voltar a treinar, se você mesmo nunca abriu esse mesmo calo? Como você pedirá para ele continuar e ser firme em seus objetivos se você nunca passou se quer próximo do pensamento que está tentando fazê-lo compreender? Não digo que é impossível termos ótimos instrutores que não são praticantes, mas eu acredito que qualquer praticante, de respeito, entenderá sempre infinitamente mais do que qualquer um desses mestres da teoria.

Da mesma maneira se encaixa os organizadores de grupos. Aqueles que estão a frente de projetos, palestras, os teóricos do Parkour, os donos das associações nacionais e os que batem no peito para apresentar seus eventos em prefeituras e órgãos públicos. Que maravilha que eles têm força e atitude para correr atrás disso tudo! Mas será que eles também não executam outro papel que deveria ser dos praticantes? Freqüentemente vejo pessoas tomarem decisões, de sua cadeira acolchoada, que irão interferir diretamente nos treinos de quem estará se arrombando nas ruas.

Eu não consigo entender essa lógica a não ser que transformemos o Parkour em um órgão público ou na casa da mãe Joana, onde as pessoas podem meter a mão e fazer dele o que tiverem vontade. Como um organizador desse calibre irá manter vivo os valores que os praticantes acreditam, se eles muitas vezes não sabem quais são eles? Como um organizador desse calibre tomara a decisão de plantar uma barra no chão, sendo que não é ele quem irá colocar a mão nela todos os dias? Como um organizador desse calibre poderá entender o que de fato é importante para aqueles que executam a prática todos os dias nas ruas, se eles mesmos não estão nessas ruas? Eles não sentem a rua. Eles não sentem os treinos. E eles não respiram o espírito que o praticante respira.

Existem características que eu desenvolvi com a prática do Parkour que eu não consigo expressar em palavras. Eu tento, mas elas não são fieis ao sentimento. Quando eu encontro um praticante, treino ao seu lado, ele entende isso tudo sem que precisemos falar uma única palavra. Ele vive meus dilemas e as minhas angústias. Ele passa pelos mesmos perigos e se alegram com as mesmas pequenas vitórias.

Um organizador do Parkour, em qualquer setor que seja, sem o coração de um praticante de Parkour, é uma arma apontada ao acaso e que pode contribuir com um bem enorme para a atividade (uma vez que os próprios praticantes muitas vezes não contribuem com nada, não querem saber de nada, e não passam de mortos-vivos fingindo que adquiriram o controle remoto de suas vidas), mas eles também podem ser a depredação de nossa atividade, pois eles não sentem o que sentimos, não sofrem o que sofremos e não entendem e nem compreenderão jamais o que de fato para nós é importante. Mas eles tomam nossas decisões. E as decisões do futuro de nossa atividade.

Eu não sei a solução para esse impasse. Quer dizer, eu sei, mas ela é utópica. Se tivesse o poder, eu gostaria de expulsar de todos os cargos políticos existentes no Parkour aquelas pessoas que não estão nas ruas enfrentando os muros. E em seu lugar eu colocaria os próprios praticantes no comando. Mas isso somente se eu pudesse ter certeza de que esses praticantes seriam os de coração e que aprenderam a edificar todo o seu mundo ao redor dos ensinamentos que aprenderam. Não os mortos-vivos!

A política é um fenômeno existente em todas as esferas da sociedade. Não é coisa de quem somente teoriza. Se você nunca parou para pensar sobre ela, você merece a vida que você tem e você não tem direito algum de reclamar quando as coisas não saírem da forma como você esperava. O que você fez para evitar um futuro que não te agrada? Você é um parasita que sobrevive em um mundo que não merece.

A primeira lição que um praticante de Parkour deveria aprender é a ser um guerreiro. A ser forte, a ter princípios e a lutar. Quando uma vez foi dito que “ O Parkour é uma arma camuflada” todo mundo achou a frase genial e saiu pregando aos 4 ventos. Um bando de espartanos do filme “300”! Mas poucos descobriram que essa é uma arma que espera em silêncio ser sacada para defender a própria atividade. Portanto, das duas uma: ou aprendemos agora a levantar nossas vozes em prol do que acreditamos, ou então vamos todos nos silenciar na vergonha de um destino que ajudamos a criar por omissão.

Se optássemos pela primeira opção, acho que teríamos um mundo melhor e um Parkour muito mais bonito do que já é.