sábado, 14 de agosto de 2010

Não coma do chão!



QIOUPWIUPUEIUQIWIPOQIUPOWIPQIWUIQUIOWYQIUYWUQYUWIIUOQW Foi mau aí, mas é que não tem como começar essa postagem sem dar uma boa risada!

Bicho... é que eu escuto esse tipo de frase todos os treinos! “Não coma do chão!”, “Não pegue isso!”, “Largue de ser nojento!”, “Parece uma criança!”. E o pior é que quem fala tem talvez um pingo de razão!

Dando um mergulho no passado a gente encontra um duddu miniatura, já com óculos de garrafa, estatura semi-franzina e serelepe como toda criança em seus 6 anos de idade. Reza a lenda (e a capacidade de memorização das mães é incrível!) que nessa idade era um tormento sair na rua comigo. Como a quantidade de doces que eu ingeria era rigorosamente controlada, meus pais não podiam bobear porque qualquer bolinha de cor diferente que eu visse no chão já ia pra boca. Vocês dariam risada se escutassem minha mãe dizer que eu descolava chicletes pisados no meio fio e depois os mastigava esbanjando felicidade. Muitas vezes dava até pra ouvir os “crec!” do meu dente mastigando aquela borracha cheia de areia.

Eu cresci, né? E com noções básicas de higiene, cinturãozadas dos pais e a pressão social (a mesma que inibe a movimentação livre das crianças) o velho hábito de comer coisas estranhas desapareceu.

E demoraram 14 anos para que o Parkour fizesse acordar aquele ser "nojento" reprimido...

Calma! Calma! Não estou falando que peguei o hábito de mascar chiclete com terra! Mas sim do fato do Parkour ter me reeducado a ouvir o que eu quero fazer e aprender a ignorar o que querem que eu faça. Essa é uma ferramenta poderosa e que só deve ser colocada em prática quando se têm bom senso pra discernir até que ponto você não prejudica as pessoas a sua volta.

O Parkour transforma a forma como você enxerga o mundo. E por mundo não estou falando da arquitetura das construções ou do senso de proteção à natureza. Estou falando da redefinição de valores. A reforma íntima que cada praticante sofre. O novo guia de “como devo viver em comunidade” e o novo grau de tolerância às diferenças.

Muitas vezes minha situação no final de um treino é deplorável. Cara suja, roupa suja, mãos pretas e abertas de calo, calça rasgada na bunda e uma camelback fudida e nojenta nas costas (isso pra não falar do fedor!). É o quadro perfeito de uma criatura pronta para ser marginalizada. Mas será que preciso dar tanta atenção ao que irão pensar de mim?

Em dias de chuva eu entro em ônibus lotados e ainda assim existem cadeiras vazias porque uma janela aberta deixou a chuva molhar os acentos. Quando isso acontece meu sorriso se estende de orelha a outra. Todos ignoram o molhado, eu vou como um míssel em direção a ele. Afinal, aquilo é somente água e não ácido.

E quando o biscoito que acabei de tirar do pacote cai no chão? Se ele não tiver caído em merda de cachorro ou em escarro de bêbado... Eu vou comer! “Ai que vergonha!”. Porque? Vergonha é desperdiçar comida quando tantas pessoas (e eu mesmo) estão com fome.

Em praças de alimentação é que eu faço a festa! O cara compra um lanche CARÍSSIMO porque os amigos todos fizeram o mesmo, e então não agüenta comer a metade. Ele se levanta e deixa pra trás aquele punhado de batata frita que irá diretamente para o lixo! Pelo meu kong precisão!!! O que me impede de sair do lugar e retirar gentilmente as batatinhas antes que a servente chegue primeiro? Não é nojento. É econômico! Mata a fome e diminui o desperdício. Não causei mal a ninguém e nem irei pegar uma doença terminal. Então porque não o fazer? Porque as pessoas ao meu lado irão notar? Porque pode ter um amigo meu de faculdade secretamente me observando? Eles que vão cuidar de sua própria vida!

O Parkour trabalha esse lado mais ogro e “irracional” do ser humano. Estou acostumado a ver sangue na minha canela, lidar com cascas de ferida, com pús nos calos, lama, lodo, bosta humana nos picos e por isso não tenho tempo e nem saco pra frescuras.

Quem me viu nos últimos 6 meses deve ter reparado que meu óculos está remendado no meio. Ele abriu em dois pedaços quando eu calculei um cat errado e bati a cara numa árvore. Mas seria justo comigo mesmo (e com meu bolso) gastar 500 reais em um óculos novinho sendo que esse ainda me serve? Bastou uns toques de Magyver do meu pai e voilá! Tô enxergando de novo! Aqui no trampo essa semana até começou uma campanha “vamos dar um óculos novo pro duddu”. OIUWUQIUWIPOQIOPWUIPOUQIUIWOIQOP

“Oi mosquinha você ficou grudada no meu pudim? Caiu no meu pão? Não tem problema! Eu retiro o pedaço que você tocou e como o resto.”

“Moço não vai querer mais a coca-cola de 600 ml? Eu tomo o resto pelo senhor pra que não se desperdice. Já economizo o dinheiro do meu próximo lanche.”

“Não tem copo? Olha... tem um descartável ali no chão... vamos dar uma lavada nele que ele fica novinho!”

A cada dia tenho mais raiva de quem tenta me obrigar a manter a etiqueta e as aparências.

E olha que eu sou limpo, viu? Vocês precisam escutar as estórias do Pop bebendo água empoçada da chuva como se fosse um cachorro na sarjeta... mas essa fica pra um outro dia. ;)

27 comentários:

V.Carity disse...

Agora a Manga foi golpe baixo e não diga que é mentira ela caiu e rolou na areia e você comeu!

Leandro Ludwig disse...

tracer tem tendencia a ter esse lado ogro...hauhauahuah...o problema é que a sociedade ta cada dia mais cheia de "não me toques", aquelas manias e frescuras que antes eram coisas só de rico abobado ta sendo cada vez mais comum e constante no dia a dia...depois de ter uma experiencia como morador de rua, vi o quanto as pessoas cultivam esses "nao me toques", é questão de valores...pessoas com valores de vida superficiais tem frescuras babacas, tracer normalmente é mais ogro porque não tem valores superficiais que justificam tais frescuras...agora, chiclete do meio fio é foda...aahuahuahuiahaiuhauahui
otimo texto duddu! abração cara! o/

Vitor disse...

True mendigo total !

Lauro Moraes disse...

Muito bom o post. Me fez lembrar de uma vez que fui num encontro de motoqueiros e um cara comprou um hamburguer, ele deu a primeira mordida e sem querer deixou cair no chão, em cima da boca de lobo. Ele pegou e comprou outro!!! Na mesma hora fui lá do lado dele e peguei o hamburguer e saí comendo.

Tem gente que não tem noção das coisas, tem vergonha de cada coisa ridícula... e de outras que deveriam ter, não tem, como por exemplo os manés que sempre furam fila nos RUs, que ficam ridicularizando as pessoas por algum tipo de desfavorecimento que têm.

Como você mesmo disse, temos que desenvolver um bom senso e uma ética que não nos prenda ao simples moralismo tendencioso que permeia nossa sociedade. Doentio não é partilhar comes e bebes com estranhos ou receber tais ofertas, pelo contrário e se negar a aceitar isso como benéfico em todos os sentidos.

De vez em quando brigo com minha esposa com relação à criação de meu filho, sei que existem exceções, mas em geral mulheres são mais frescas... Ela retira cascas das frutas que meu filho come, isso é um absurdo!! ainda mais considerando o alto valor nutritivo que ela têm. É claro que não dou casca de banana pra ele comer, mas de maçã, pêra e uva... por que não??? Se foi pegar frutas no pé do quintal, por que não comer as que já estão no chão, desde que não estejam estragadas? E se estiverem, ela está toda ou parcialmente estragada???

Temos que mudar nossa mentalidade urgente, e quando digo nós, é toda a sociedade.

Parabéns Duddu.

Bronze disse...

Concordo com idéias reformistas ou contra-etiquetas sem sentido.

Mas cuidado, o escarro e a bosta secam, mas a podridão continua lá, num é só porque está desidratado que o escarro num é escarro.
Como uma semente que fica anos sem água, só por um pouco de água que ela germina.

^^

Cat Parkour disse...

Simples e acessivel ? né duddu
É realmente as pessoas gostam de julgar, lembrando que se um dia não tiver água de sobra e comida em abundância todos os costumes e frescurites vão pro saco OKSAKKOSKOSAKOSAOKDSOSDKOSKOKOSKOS
Mais cuidado com a sua nova abordagem sobre comer do chão existem bacteria, amebas, e outros seres estranhos, você pode ate pega hepatite, febre tifoide colera, diarreia entre outras doenças.

Duddu Rocha disse...

HUAHUHUAHUAHUAHUAUHA Talvez eu não tenha conseguido passar isso pelo texto mas EU NÃO VIREI UM CACHORRO VIRA LATA NÃO! UAHUHUAHUHUAHUAHUHUAHU

A questão como bem compreendida pelo Leandro e pelo Lauro gira em torno do bom senso. Eu não preciso comer comida do chão pra provar que não tenho preconceitos ou frescuras. Estou falando é justamente daqueles fatos isolados onde SOMENTE o que te barra são os preconceitos e as regras sociais.

É o sentar na cadeira molhada, é o sentar no meio fio ao esperar o onibus, comer algo que caiu da sua mão e vc CLARAMENTE sabe que não houve prejuízo algum, é comer as sobras de alguem em um restaurante (as pessoas realmente acreditam que quando alguem deixa comida no prato antes ela escarra dentro?).

Não quero jamais colocar minha saúde em risco. Até porque isso iria contra o que preza a atividade que eu pratico. Mas o mundo é muito cheio de tabus. E a maioria deles são apenas bobagens. E é a respeito desses que estou falando e que o Parkour ajuda a derrubar por terra.

Quantos de nós não usavamos tênis e roupas de marcas antes do Parkour? Não é o meu caso, mas eu conheço muitos. E que por conta dessa "ação do Parkour" viram que pagar rios de dinheiro por uma etiqueta não faz sentido (quando o necessário é apenas se vestir).

Espero ter sido um pouco mais claro e aprofundado minha opinião.

Anônimo disse...

Por isso que você é seco assim duddu... pegou verme!!! xP

Jean disse...

Sei lá, nem concordo. Como o Duddu disse, acho sim importante não ser cegado burramente por padrões impostos a nós.

Mas acho idiota expor sua saúde em risco assim. Acho saudável nós questionarmos os valores e chegarmos a nossa conclusão, mas o que eu mais vejo no mundo do parkour é porquice mesmo. Nego que só faz merda pq acha bonito parecer rebelde, bruto, ou pq acha legal falar que o parkour o fez agir diferente.

Eu sou fresco, lavo SEMPRE as maos antes de comer, e odeio o gosto de terra do muro quando saimos do treino e comemos bisnaguinha do mercado mais proximo.

Gosto da idéia de quebrar tabus, mas não de agir como um idiota deliberadamente. E eu acho que seu texto de certo modo ressalta com bons olhos o comportamento "ogro", e não dá tanta ênfase à "quebra de tabus" que creio eu ser o ponto principal.

Jean disse...

Acho que o que acontece é muito mais desleixo do que quebra de tabu.

Duddu Rocha disse...

Só uma coisa que eu gostaria de deixar claro:

As informações contidas no meu blog não necessariamente são coisas certas a se fazer ou que de certa forma são repassadas por mim para outras pessoas. Eu não tenho interesse algum que as pessoas saiam por aí comendo as coisas do chão e colocando sua saúde em risco.

Apenas estou relatando uma mudança que vi acontecer pouco a pouco comigo.

Antes de treinar eu era metódico ao ponto de separar arroz, feijão e macarrão e não comer a comida se eles estivessem juntos. Hoje eu sou capaz de jogar o suco dentro da comida e comer aquela papa gosmenta de qualquer jeito.

Essa mudança brusca no meu comportamento veio do Parkour. E realmente eu acho que tô chegando em um nível de "desleixo" assustador. Mas enquanto isso não prejudicar verdadeiramente a ninguém (ou a mim mesmo), eu não me incomodo.

Jean disse...

Ah, e "eu adoro sentar na cadeira com poça d'água" é no mínimo imbecil. Gosta também de pisar de meia no molhado?

Duddu Rocha disse...

Imbecil é a sua forma de se expressar.

Entre ficar em pé no ônibus apertado, com meio mundo de gente fedendo depois de um dia de trabalho e eu cansado de um treino exaustivo SEM SOMBRA DE DÚVIDAS QUE EU ADORO SENTAR NA CADEIRA MESMO ELA MOLHADA! Não penso nem duas vezes.

Pisar na poça dágua de meia não faz o menor sentido. Não entendi o que uma coisa tem a ver com a outra.

Você tá com tanta má vontade de entender o que escrevi e querendo tanto impor seu ponto de vista que não está nem sequer conseguindo raciocinar direito.

Lauro Moraes disse...

Cara... não acho tão imbecil e perigoso comer coisas no chão, considerando que uma parcela da população mundial faz isso diariamente.
Podemos citar ainda o fato de muitas pessoas nos EUA e em outros países utilizarem lixeiras de restaurantes e padarias para fazerem suas refeições, e são pessoas que não necessariamente são miseráveis, muitos o fazem justamente pela ideologia, que acho louvável, de que grande parte dos alimentos que ali estão não estão estragados!
No exército também por muitas vezes temos que comer o dá pra comer e isso envolve comida do chão.
Não estou dizendo pra pegar QUALQUER coisa do chão ou de lugares inusitados, mas usar o bom senso pra distinguir se aquilo está bom para o consumo ou não.
Quanto a fazer mal... bem muitas coisas limpinhas e bonitinhas como um lindo e cheiroso Big Mac pode ser pior a sua saúde do que um resto de comida dos outros, como pode ser visto naquele documentário do Super Size Me. Mas ele é puramente aceitável. A sociedade capitalista só considerará aceitável aquilo que dá lucro às coorporações e negar isso é ser um completo alienado. Afinal de contas no mundo SOBRA comida, contanto há miséria e fome por toda parte, isso porque não reaproveitamos nossos alimentos adequadamente, cara hj mesmo exagerei no meu prato do almoço, guardei pra comer depois do trabalho, mesmo tendo outras coisas pra comer em casa. Muitas pessoas jogariam aquele resto fora, isso é um absurdo!
Quando meu filho mama, muitas vezes sobra leite com achocolatado na mamadeira, bebo o resto todo de boa. Minhas roupas rasgam, furam... pelo pra minha esposa costurar pra mim, mesmo que a costura apareça uso da mesma forma, afinal a roupa é só pra cobrir o corpo mesmo... E olha que não sou miserável, tenho uma condição monetária muito boa, mantenho a mim, meu filho e minha esposa, pago todas as contas em dia e ainda sobra uma graninha pra juntar,agradeço muito por isso e é justamente esse o motivo de valorizar tanto as coisas e porque sei que tem gente que não tem nada do que tive a graça de possuir. Seria uma enorme falta de respeito com milhões de famílias no mundo jogar fora algo que ainda possui valor ou uso só por luxo ou frescurice.

Lauro Moraes disse...
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Lauro Moraes disse...
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Lauro Moraes disse...
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Christian disse...

Eu também pegava chiclete do chão quado era criança, o problema era a areia que vinha junto =/

joaopk disse...

Cara seriamente não penso em fazer nada disso que vc ja fez,
mais não sei se na hora do aperto eu não possa fazer.
mais préso muito minha saúde, não se estara com alguma doença, por isso prefiro previnir doque remediar!
sei que a sociedade nos opõe a fazer coisas que não são de nosso gosto, mais acho que isso é falta de conscientização de si proprio de saber oque esta fazendo bom ou ruim isso vai de cada um.

Duddu Rocha disse...

Como já disse, as ações de uma pessoa devem ser guiadas pelo bom senso. Mas faço duas simples perguntas a todos os que já postaram opinião e aos que ainda irão postar:

1 - Em um ônibus lotado, com gente pisando no seu pé e cheirando super mal embaixo do seu nariz: você sentaria numa cadeira molhada apenas com água?

2 - Após um treino e você com muita fome e sem dinheiro. De repente passa pela praça de alimentação do shopping e vê uma senhora deixar o saco de batata fritas dela do mc Donalds INTEIRINHO.Você saciaria sua fome naquele momento?

Nas duas perguntas claramente não há riscos descontrolados (a água era da chuva e a batata havia sido intocada). Note que o que te segura são apenas o conceito de moralidade que possuímos e o medo de ser visto.

Você tem duas opções: romper com o paradigma social e saciar seu desconforto, ou ignorar a alternativa e continuar seguindo o padrão que todos a sua volta manifestam.

É disso que estou falando e que o Parkour me fez avaliar em minha vida.

Ícaro Iasbeck disse...

aah, que lindo rapaz. Fiquei sorridente o texto inteiro!

Acho que isso é uma tendência dos tracers mesmo. Pois se ligasse para que os outros pensam de nós, eu mesmo não estaria mais treinando parkour!

como é bom ver que tem gente como a gente (essa de pegar batata frita na praça de alimentação aprendi com o Edi!)

Texto salvado e favoritado!
(impressionante como tu consegue transmitir suas idéias, pqp)

Ícaro Iasbeck disse...

/\ UHDSHUUHDSSDHUHUDDUDAHDUHUHA

acho que foi isso que me deixou gordo! haha

Priscilla disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Priscilla Magalhães disse...

liga não, "o Jean jogava bola de gude no carpete e empinava pipa na frente do ventilador" hauahuahuaha..



bom,nem preciso dizer o que axei do texto né ! *_*

Adriano (pop) disse...

O jean foi criado numa bolha, então, o que ele fala não vale o que o gato interra. (brincando meu amorrr) ^^

Duddu o fato de eu ter tomado agua de uma vala, não tem nada haver com esse seu texto. ¬¬

não me comprometa !!

Pedro disse...

Lendo isso me fez refletir sobre eu ter usado e ainda uso o parkour como uma desculpa, claro, amo a arte, mais eu sempre tive essa vontade louca de correr e pular coisas, so nao tinha coragem! Agora eu posso, pq faço PAKU ! haha, Abs, Pedro A.

Pipolo disse...

AIUHAIUAHIUAHIUAHA caralho quando vc citou o Pop eu ri muito aqui em casa AIUHAUIHAIUHAIHAIhaiuha
saudads de toda essa galera!! contando os dias pro nordestinO! :D